Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Para Aécio, Dilma tratou Graça ‘pior que inimigo’

Oposição ataca demora da presidente em substituir comando da Petrobrás e desgaste na imagem tanto da atual dirigente como na da própria empresa

ERICH DECAT, DAIENE CARDOSO, ISADORA PERON, DÉBORA BERGAMASCO, Estadão Conteúdo

03 Fevereiro 2015 | 20h45

Brasília - A oposição aproveitou nesta terça-feira, 3, a onda de informações sobre a iminente saída de Graça Foster do comando da Petrobrás para criticar as decisões da presidente Dilma Rousseff desde que o escândalo de desvios na estatal veio a público, no último ano do primeiro mandato da petista. Nesta tarde, Dilma recebeu Graça no Palácio do Planalto em reunião de cerca de duas horas.

“Certamente ser amigo da presidente da República hoje é muito pior do que ser seu adversário. O que ela fez com a presidente Graça Foster não se faz com um inimigo”, comparou o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB e candidato derrotado na corrida ao Planalto de 2014. Para o tucano, a presidente adiou a demissão da dirigente da Petrobrás, de quem a petista é amiga pessoal, como forma de se proteger das denúncias envolvendo a companhia. “(Dilma) permitiu que ela (Graça) assumisse um desgaste enorme nesse último período, como se isso pudesse defendê-la ou anistiá-la das suas responsabilidades. E no momento em que fica insustentável a presença da Graça Foster, ela anuncia ou, pelo menos, sinaliza com a sua saída.”

Na avaliação de Aécio, Graça foi mantida até agora à frente da Petrobrás para “tentar limpar a cena do crime”. Na semana passada, a estatal divulgou com atraso o balanço do terceiro trimestre de 2014 sem auditoria externa e sem apontar os prejuízos provocados pela corrupção.

“A presidente Dilma, num gesto até de pouca generosidade com a sua amiga, permitiu que ela assumisse sozinha uma responsabilidade que não é só dela”, afirmou. “A responsabilidade pelos desmandos e pela corrupção na Petrobrás começa muito antes da presidente Graça Foster. E ela, obviamente, ao aceitar a missão e tentar limpar a cena do crime – essa expressão não é minha –, passa a ser parte do mais triste momento da história da maior empresa brasileira.”

Demora. Para deputados da oposição, que tentam criar uma nova CPI da Petrobrás no Congresso, o ciclo de Graça na Petrobrás já havia se encerrado. “Demorou muito mais do que se esperava”, disse o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP). “Não tinha o menor sentido ela continuar à frente da Petrobrás.”

Líder do DEM, o deputado Mendonça Filho (PE) também criticou a demora na troca de comando da Petrobrás. “É evidente que ela (Graça) não tinha nenhuma condição de continuar à frente da Petrobrás”, avaliou. “O que o governo fez foi desgastar ainda mais a imagem da presidente da empresa e da própria empresa. A Petrobrás precisa de um novo comando que restaure a credibilidade da empresa e que possa devolver à Petrobrás a boa governança, retirando o aparelhamento político.”

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