Para Aécio, Dilma ainda é menor que PT

Ministra está em patamar de intenção de votos inferior ao que deveria alcançar como candidata petista, diz tucano

Julia Duailibi, O Estadao de S.Paulo

26 Maio 2009 | 00h00

Um dos pré-candidatos do PSDB na disputa pela Presidência em 2010, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, afirmou ontem que a antecipação do debate eleitoral foi causada pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na tentativa de tornar conhecida sua candidata, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Ao avaliar o desempenho da adversária nas pesquisas de intenção de voto, o mineiro disse ainda que a petista se encontra "num patamar menor" do que deveria estar um candidato do PT. Na semana passada, o PT divulgou pesquisa encomendada ao instituto Vox Populi na qual Dilma aparece com índices de intenção de voto entre 19% e 25%, a depender do cenário apresentado. Na disputa com Aécio, a ministra teria 21%, contra 18% do tucano. Questionado sobre os resultados, o governador mineiro disse ser "natural" a melhora do desempenho de Dilma em razão da "grande exposição" que ela teve nos últimos meses. "Ela está ainda num patamar menor que aquele em que um candidato do PT deve naturalmente estar. Mas é natural que ela continue crescendo", observou. Com um discurso de que é necessário pensar o País em um momento "pós-Lula", Aécio esteve em São Paulo para se encontrar com empresários do setor cafeeiro. O tucano tem viajado e buscado maior exposição nacional, desde que pôs seu nome na corrida presidencial. Há pouco mais de dois meses, quando pressionado pelo partido para ser vice do governador de São Paulo, José Serra, na chapa presidencial tucana, o mineiro chegou a dizer que não se constrói um projeto para o País "da Avenida Paulista". Para Aécio, a necessidade de dar visibilidade a Dilma levou Lula a antecipar o debate eleitoral. "Acho que houve uma precipitação, sim, em razão da movimentação do governo e do próprio presidente Lula, que, em busca de dar visibilidade a sua candidata, antecipou o processo", declarou. Serra também tem sido bastante crítico da antecipação do debate. Para o governador paulista, a discussão sobre a eleição deveria ser iniciada só em 2010. Indagado sobre um eventual uso da máquina por parte do governo para projetar Dilma, Aécio cobrou isenção. "Acho que o próprio governo federal deve estar atento. É natural que ela fale, que ela viaje, que ela se movimente e que tenha opinião sobre as questões nacionais, mas todos nós devemos estar atentos para que não haja utilização da máquina." O mineiro afirmou que o PSDB tem de dar exemplo e ressaltou que tem participado apenas de eventos promovidos pelo partido. PRÉVIAS Apesar das críticas ao debate eleitoral precipitado, o governador de Minas tem defendido, publicamente, a realização de prévias partidárias para escolher o candidato tucano à sucessão - no fim deste ano ou no começo do ano que vem. Sobre a disputa com Serra, garantiu lealdade. "Estaremos unidos, a unidade do PSDB é o mais vigoroso instrumento que temos para vencer as eleições." Na avaliação de Aécio, Lula não tentará disputar um terceiro mandato, tema que tem aparecido com frequência, nas últimas semanas, no Congresso. "Seria um retrocesso para o País. O presidente Lula não mancharia sua biografia com uma proposta dessas. Acho que não existe mais tempo hábil para a aprovação (de um eventual terceiro mandato)."

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