Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Para Aécio, desistência de Serra é 'gesto de desprendimento'

Provável candidato à Presidência pelo PSDB comentou gesto de ex-governador após lançar sua cartilha reafirmando sua postura de oposição ao governo federal

Erich Decat, Agência Estado

17 Dezembro 2013 | 17h49

Brasília - O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (PSDB-MG), considerou nesta terça-feira, 17, o anúncio do ex-governador José Serra apoiando sua candidatura à Presidência da República como um "gesto de desprendimento".

Por meio de um texto postado em seu perfil no Facebook, Serra anunciou seu apoio ao nome de Aécio, em um gesto que foi interpretado por correligionários como sua desistência da candidatura em 2014. "Como a maioria dos dirigentes do partido acha conveniente formalizar o quanto antes o nome de Aécio Neves para concorrer à Presidência da República, devem fazê-lo sem demora. Agradeço a todos aqueles que têm manifestado o desejo, pessoalmente ou por intermédio de pesquisas, de que eu concorra novamente", escreveu Serra.

Após participar do lançamento de uma cartilha com 12 diretrizes que devem nortear o programa partidário na próxima disputa eleitoral, Aécio comentou sobre a decisão. "Não deixo de reconhecer que é um gesto importante na direção da unidade partidária. É um gesto que chamaria de desprendimento do ex-governador", afirmou Aécio.

Repercussão. Serra não participou do evento ocorrido na tarde desta terça-feira em um auditório na Câmara dos Deputados. A decisão dele foi recebida com surpresa e comemorada por parte de integrantes da Executiva do PSDB que se reuniram nesta manhã, em Brasília. "Achei excelente as declarações de Serra. Ele é um homem público, experiente, é natural que ele desejasse ser candidato a presidente. Já foi candidato do partido por duas vezes, mas desta vez não era o caso. É uma declaração muito sóbria da parte dele", afirmou o presidente do Instituto Teotônio Vilela, deputado Sérgio Guerra (PE). "Mostra que o PSDB não está dividido. Agora não há divisão, como o próprio Serra colocou", acrescentou.

O discurso de união também foi reverberado por outros tucanos. "Serra agiu em consonância com o sentimento do partido no âmbito nacional e de cada diretório regional. Mostrou nobreza de seus propósitos e preocupação com a unidade partidária e tira o discurso daqueles que apostavam numa discórdia", afirmou o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP).

Após o encontro, o deputado Vanderlei Macris (SP) chegou a defender que se faça nos próximo dias um "ato nacional" do partido com a participação de Serra ao lado de Aécio. "O clima da reunião estava muito bom por conta da iniciativa de Serra. Na minha opinião, temos que fazer um ato nacional consolidando esse gesto", afirmou Macris.

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