Para Aécio, criação de nova CPMF é 'discussão vencida'

Governador diz que 2008 é ano eleitoral e não haverá 'clima' no Congresso para aprovar novo tributo

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2008 | 17h06

Embora tenha se empenhado no final do ano passado dentro do PSDB pela prorrogação no Senado da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011, o governador de Minas, Aécio Neves, já deixou claro que é contra a proposta de recriação do chamado imposto do cheque. A intenção dos líderes da base aliada é propor a instituição de um novo tributo sobre operações financeiras, com alíquota de 0,1% para custear o aumento dos gastos para a saúde previstos na regulamentação da Emenda 29. Para Aécio, no entanto, trata-se de uma "discussão vencida" e no momento o governo deveria se preocupar em racionalizar seus gastos.   Veja Também: Não há iniciativa do governo para ajudar Emenda 29, diz Lula Governo não apresentará proposta de nova CPMF, diz Múcio  Entenda a Emenda 29   Entenda a cobrança da CPMF    "O que o governo tem de fazer é gastar melhor os recursos que tem. Os recordes de arrecadação têm sido mensais e sucessivos. O que precisa é maior planejamento, menos aumento dos gastos correntes do governo, aqueles que não chegam ao final da cadeia, não chegam à população. Um governo mais organizado, gastando melhor, eu acho que sobrará mais dinheiro para a saúde", disse o governador tucano anteontem (20), após participar de um evento em Belo Horizonte.   Aécio ressaltou que no final do ano passado lutou dentro do partido pela prorrogação da CPMF porque considerava adequado o compromisso do governo de que todos os recursos arrecadados com a contribuição fossem destinados à saúde. "Mas nesse momento eu acho que aquela é uma discussão vencida."   O governador observou que 2008 é um ano eleitoral e não haverá "clima" no Congresso para que seja aprovada uma matéria que resulte em aumento da carga tributária. "Não vejo clima, sobretudo no ano eleitoral - e já estamos aí a poucos meses praticamente da paralisação das atividades do Congresso Nacional -, de nós votarmos algo dessa complexidade e que traz no seu bojo tanta polêmica." Aécio disse que externou sua opinião no último encontro que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília.   Segundo o governador, o presidente demonstrou "certa preocupação" em relação ao financiamento da saúde, mas disse que qualquer iniciativa de uma nova contribuição partiria do Congresso. "Disse a ele que acho que o governo pode sim investir mais na saúde gastando menos no meio, na estrutura, no peso do estado", afirmou o tucano.   Nesta quarta-feira, Aécio não falou sobre o assunto. Ele participou em Muriaé, na Zona da Mata mineira, da inauguração do Centro Administrativo Municipal Presidente Tancredo Neves.

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