Para Aécio, bases da estabilidade estão 'ameaçadas'

O senador Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência, avalia que o cenário do ano que vem não terá o "céu de brigadeiro" da eleição de 2010 para a presidente Dilma Rousseff porque a estabilidade econômica está "ameaçada". Apesar das dificuldades enfrentadas para unir os tucanos, Aécio diz confiar no crescimento de seu potencial de votos.

VERA ROSA, Agência Estado

30 de março de 2013 | 09h17

"Tem muita gente apressada, achando que a eleição é uma corrida de 100 metros, quando, na realidade, é uma maratona", afirmou o senador mineiro. "O governo tem muitos problemas em várias áreas, a começar pela economia. A gestão vai mal, a infraestrutura está empacada, a inflação de alimentos ultrapassa 30% e a safra não consegue ser escoada."

Aécio recebeu nesta semana o apoio do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, para comandar o PSDB. Alckmin cedeu depois de ouvir apelos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas busca manter a neutralidade na disputa entre Aécio e o ex-governador José Serra, que ameaça deixar o PSDB para ser novamente candidato ao Planalto.

Para o senador, porém, todos os problemas no PSDB são menores do que as divisões na seara petista. "O PT sabe que a economia, em 2014, não estará como na eleição da Dilma, em 2010. Hoje temos inflação alta e um crescimento baixíssimo", disse Aécio, numa referência ao Produto Interno Bruto (PIB) de 2012, que ficou em 0,9%. "É claro que Dilma tem um mote de campanha, assim como eu construirei um, mas é muito cedo para pensar nisso", desconversou. O PSDB tenta importar um dos conselheiros políticos das campanhas de Barack Obama nos Estados Unidos para ajudar o senador.

''Fracassos''

Em fevereiro, Aécio ocupou a tribuna do Senado para listar o que chamou de "13 fracassos" do PT no governo. O discurso foi feito no mesmo dia em que o PT comemorava 10 anos à frente do Palácio do Planalto. De lá para cá, porém, sua popularidade não aumentou e as divergências no PSDB foram escancaradas. Além disso, uma ala do DEM flerta com a provável candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Na última pesquisa Ibope, em parceria com o Estado, Aécio aparece em terceiro lugar, com 9% das intenções de voto, atrás de Dilma (58%) e de Marina Silva (sem partido), com 12%. Nesse cenário, Campos tem 3%.

No diagnóstico do presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), a oposição pode se recuperar, se souber mostrar as fragilidades do governo Dilma. Agripino disse que o tripé da campanha de Dilma à reeleição - "traduzido" pelo Palácio do Planalto como "energia/comida/juros" - começa a desmoronar.

"A queda da tarifa de energia elétrica já produziu a primeira baixa: a Eletrobrás registrou o pior resultado de sua história", afirmou o presidente do DEM, numa referência ao prejuízo de R$ 6,9 bilhões no ano passado, anunciado pela companhia. "Nem tudo o que é bom (para a população) é sustentado. Tem de ser bom e permanente. A atitude tomada pelo governo é vulnerável. Vamos ver o que vai acontecer com os apagões."

Agripino definiu como "positiva" a desoneração da cesta básica, outro mote da campanha de Dilma, mas enxergou na medida um viés eleitoral. "Por que isso acontece só agora? Por que não houve a desoneração do kit do material escolar?", perguntou, em alusão a um projeto de sua autoria, que tramita há dois anos no Congresso.

A redução dos juros não é mérito do PT, na opinião de Agripino. "Se depois de dez anos de bonança o governo não enfrentasse os juros na estratosfera, não haveria governo", reagiu o senador. Na quarta-feira, o mercado interpretou que Dilma é contra o aumento de juros para conter a alta de preços, por causa de uma declaração dela, na África do Sul. Irritada, Dilma disse que o combate à inflação é "um valor em si".

Em crescente dificuldade desde que o ex-prefeito Gilberto Kassab abriu uma dissidência no partido e criou o PSD, o DEM está hoje dividido sobre o apoio a Aécio ou a Campos. A tendência é a dobradinha com o tucano, mas uma ala prega a aliança com o governador de Pernambuco.

Há quem avalie, no entanto, que Dilma pode vencer no primeiro turno, se a oposição não se unir em torno de Aécio. "O próximo governo precisa ser de salvação nacional, porque o PT, por convicção ideológica, não faz as concessões como deveria, mas faz uma faxina para inglês ver", criticou Agripino. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Mais conteúdo sobre:
Aécio NevesPSDBeleições 2014

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.