Felipe Rau/Estadão
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Para advogado, Dirceu é 'bode expiatório' da Lava Jato

Roberto Podval, que defende o ex-ministro, disse por diversas vezes em entrevista que a prisão não tinha justificativa jurídica e que não houve qualquer fato novo para que o pedido fosse feito agora

Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

03 de agosto de 2015 | 20h37

Brasília - O advogado de defesa do ex-ministro José Dirceu, o criminalista Roberto Podval, disse que seu cliente se tornou “bode expiatório” da Operação Lava Jato. “José Dirceu é hoje bode expiatório de um processo, como um grande prêmio”, afirmou o advogado em entrevista coletiva realizada ontem à noite em Brasília.

Podval criticou o fato de colocarem o ex-ministro como “o grande responsável” pelo esquema na Petrobrás. “Colocam em cima dele a responsabilidade por todo esse processo? Aí é politizar uma questão.” O criminalista disse ser “desnecessária” a prisão do ex-ministro ontem em Brasília e que vai recorrer.

O advogado disse ainda que a prisão de Dirceu foi decretada em um momento “oportuno” – para Podval, agora deve-se encerrar uma etapa da Lava Jato e começar outra. “Faltava prender o Dirceu, era o que se anunciava”, afirmou. Ao longo da entrevista, o advogado disse várias vezes que a prisão do ex-ministro não tinha justificativa jurídica. “Não há absolutamente nada que indique que Dirceu tenha tentado destruir provas, nem risco de fuga, nem tentativa de obstruir investigação.”

O criminalista criticou as argumentações do juiz Sérgio Moro, dizendo que os pagamentos feitos à JD Consultoria, empresa do ex-ministro, já haviam sido apresentados ao juiz. “Justificamos todos os pagamentos.”

‘Exceção’. Sobre a delação de Milton Pascowitch, que citou Dirceu como beneficiário de propina, o advogado disse que o delator falou “o que queriam ouvir”. Afirmou ainda que o decreto de prisão é uma “antecipação da pena” e que o País vive um momento em que “a exceção vira regra: prender pessoas era exceção”. “Não acho que ele (Moro) está fazendo política, mas acho que como qualquer ser humano reage à pressão popular.”

Transferência. Ao decretar a prisão, Moro pediu ao Supremo a transferência do ex-ministro para Curitiba, base da Lava Jato. O deslocamento foi autorizado pelo ministro Luís Roberto Barroso, mas, por falta de condições logísticas, Dirceu passaria a noite na Superintendência da PF em Brasília. O deslocamento deve ocorrer hoje.

Segundo o delegado Luciano Lima, Dirceu chegou à PF se queixando de mal-estar e foi constatada pressão alta. Lima informou que o ex-ministro estava calmo e recebeu a visita da companheira, Simone Patricia Tristão Pereira.

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