Para adolescentes, família é instituição mais importante

A família é a instituição mais importante para nada menos do que 95% dos adolescentes, segundo o Unicef. Também está diretamente relacionada à sua felicidade, já que 61% declararam que brigar com pais e irmãos é o principal motivo para se sentirem infelizes. A maioria - 84% - considera justa a forma como os pais os corrigem, e 90% se sentem respeitados pela família, embora protestem por serem tratados como crianças, às vezes. "Ninguém admite que estou crescendo e me tratam como se eu tivesse 8 anos. Também acham que eu não sei de nada, mas não me deixam aprender", diz a estudante Cynthia de Mello, de 16 anos, que vive com os pais. Mas ela acha que a família é fundamental para sua formação e odeia brigas, pelo "clima ruim" que deixam na casa. Esses dados mostram, na opinião da psicóloga Illana Pinsky, que os jovens precisam de presença e atenção. "Eles já têm opiniões próprias sobre questões como política, sexualidade ou drogas, por exemplo, mas ainda se sentem inseguros e precisam dos pais para impor limites, dizer até onde podem ir e, principalmente, dar suporte a seus planos, idéias, sonhos e expectativas", diz. "Quando levados a sério, os jovens são capazes de realizar coisas maravilhosas e realmente construir para si um futuro melhor. Diferenças regionais, de raça e de classe socioeconômica podem ter, no entanto, ter influência na maneira como vêem o mundo e se relacionam com ele. Ao analisarem o acesso a cultura e informação, os pesquisadores descobriram, por exemplo, que, enquanto ir ao cinema é uma alternativa comum de lazer para 40% dos entrevistados que se identificaram como brancos, esse número cai para 35,6% entre os descritos como amarelos, 32,4% entre indígenas, 28,5% entre negros e 24,2% entre pardos. Com o teatro, ocorre algo parecido: entre negros e pardos é maior o porcentual de quem nunca viu uma peça - respectivamente 45,7% e 50,1%. Entre brancos é de 36,6%. O acesso à internet também é maior entre brancos (33,7%) que entre negros (21,9%) e superior entre adolescentes das classes A e B (72,4% e 52,3%) do que entre os de classes C e D (20,8% e 12,9%). Tantas diferenças não passam em branco na análise juvenil. Entre os entrevistados, 59% disseram que o poder público não incentiva atividades artísticas como poderia, e 21% também acham que faltam condições mínimas a quem quer praticá-las. É o caso da estudante Ariane Massetti, de 17 anos. Aluna do terceiro ano do ensino médio de uma escola pública, ela reclama que falta educação artística até em seu currículo escolar e se queixa de que os professores não incentivam a leitura - outro item que costuma ser maior ou menor dependendo do grupo analisado. O único item com maior homogeneidade é a televisão. O estudo mostrou que os adolescentes passam, em média, 3 horas e 55 minutos por dia na frente da TV. E 70% deles consideram a programação "boa" ou "muito boa". Mais da metade - 52% - ainda cita a televisão como uma das principais atividades de lazer, só batida pela opção "ir à casa de amigos", com 53%.

Agencia Estado,

30 Julho 2002 | 21h10

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