Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

Para acomodar Centrão, governo vai trocar líder do governo na Câmara

Ministro da Secretaria de Governo diz a parlamentares que troca atenderá base de apoio; deputado Vitor Hugo (PSL-GO) deve perder cargo

Andreza Matais, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2020 | 20h02
Atualizado 20 de maio de 2020 | 21h25

BRASÍLIA – Na dança das cadeiras que o governo está fazendo para acomodar o Centrão, o próximo que irá perder o lugar para o grupo é o líder do governo na Câmara, deputado Vitor Hugo (PSL-GO). O Estadão apurou que o ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos, informou a líderes da Câmara que a troca será realizada para atender a nova base de apoio do presidente no Congresso e a indicação será feita pelo líder do Progressista (ex-PP), deputado Arthur Lira (AL).

Os nomes mais cotados são os dos deputados Ricardo Barros (Progressista-PR), que foi ministro da Saúde do governo Michel Temer e líder no governo de Fernando Henrique Cardoso, João Roma Neto (PRB-BA) e Hugo Mota (PB). Embora seja do Republicanos, Mota é próximo de Lira e seria uma indicação da cota pessoal do parlamentar. 

Lideranças do Centrão dizem que, na prática, Arthur Lira é o líder informal do governo. Nos grupos de WhatsApp desses deputados circulou nesta quarta-feira, 20, um vídeo que mostra o esforço do deputado em defender o governo diante da resistência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de retirar da pauta o adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“Não posso acreditar nesse ministro (Abraham Weintraub, da Educação)”, disse Maia ao informar ao plenário que iria votar a urgência do projeto a não ser que o próprio Bolsonaro se comprometesse publicamente com o adiamento. 

“Vossa Excelência tem todo direito de esperar a posição do presidente da República, claro, mas se o ministro já comunicou a portaria em nota oficial a votação perde o objeto. Vai votar uma coisa que está resolvida”, afirmou Lira. O esforço era para evitar uma derrota do governo num assunto de ampla repercussão. Não se ouviu a voz do atual líder do governo. 

O plenário do Senado já havia aprovado projeto adiando a prova, com o voto contrário apenas do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente. O que certamente se repetiria na Câmara nesta quarta-feira. 

Após a posição de Maia, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou nota anunciando o adiamento do Enem e atribuindo a decisão a “demandas da sociedade” e a “manifestações do Poder Legislativo em função do impacto da pandemia”.

Outra atribuição típica do líder do governo tem sido feita pelo deputado Arthur Lira nos últimos dias. Ele tem feito reuniões para buscar aumentar o apoio do governo no Congresso. O Estadão mostrou nesta quarta que o deputado chegou a brigar com o líder do MDB, deputado Baleia Rossi (SP), que não aceitou a oferta de cargos em troca de integrar a base de Bolsonaro no Congresso. Até agora, o governo já contemplou com cargos o Progressista, o Republicanos e o PL.

Lira afirmou ao Estadão que é “mentirosa” a informação de que ele pediu a vaga de líder do governo na Câmara ou que participe de qualquer discussão nesse sentido. Vitor Hugo não quis se manifestar.

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