Para ACM, falta ao presidente Lula ?educação política?

Apesar dos afagos feitos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a políticos pefelistas, durante sua visita a Salvador, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) não escondeu hoje suas críticas ao governo, a quem sempre apoiou independentemente da postura oposicionista de seu partido. Em discurso, no plenário, o senador reclamou da presença do ministro da Saúde, Humberto Costa, na visita que Lula está fazendo a Salvador para inaugurar uma das sete farmácias populares que serão instaladas na Bahia. ?Não é hora de prestigiar o ministro da Saúde enquanto não operar as denúncias da Operação Vampiro?, disse, estendendo suas críticas aos assessores diretos do ministro acusados de fraude nas licitações de hemoderivados. ?Será possível que esses homens eram honestos antes e ficaram desonestos depois que assumiram o governo Lula?, perguntou ACM, se referindo aos assessores que trabalharam com Humberto Costa ainda em Recife e que foram afastados do cargo em Brasília. O senador queixou-se também do cerimonial do Palácio do Planalto que apenas, na última hora, convidou o governador da Bahia, Paulo Souto, e o prefeito de Salvador, Antonio Imbassahy, ambos pefelistas, para acompanharem a visita presidencial à capital baiana. ACM minimizou o objetivo da visita a Salvador, lembrando que a Santa Casa Irmã Dulce já distribui ?remédios de graça?, enquanto as farmácias populares vão vender os medicamentos mais baratos. O senador criticou que, além de homenagear o ministro, o presidente Lula estaria também prestigiando o empresário Mauro Dutra, dono da Ágora, que vai orientar a funcionamento das farmácias populares. ?O presidente não foi fazer nada de importante na Bahia. Se fosse para inaugurar uma rodovia, tudo bem. Se fosse para levar o dinheiro do metrô, que nunca sai, para Salvador, tudo bem. Mas ele vai inaugurar uma farmácia, que vai vender remédio mais barato?, questionou. ACM contou que apenas na sexta-feira foi informado da viagem de Lula por um subordinado do cerimonial do Palácio do Planalto, o que considerou uma falta de educação. ?Ninguém poderia esperar do presidente Lula gestos de alta educação, pois teve uma formação que não é essa?, ironizou. ?Esse governo não conhece a palavra muito obrigado e eu duvido que algum líder aliado tenha recebido qualquer agradecimento por parte do governo?, completou. Num apelo ao presidente do Senado, José Sarney, ACM disse que o Congresso deveria exigir do governo um tratamento melhor, mesmo porque os convites a parlamentares para integrarem a comitiva presidencial em viagens no Brasil ou fora do País têm sido encaminhados de última hora pelo cerimonial do Palácio do Planalto. ?Isso é inaceitável. É falta de educação, educação política?, disse, deixando claro que, independentemente do partido político, o presidente da República tem o dever de comunicar ao governador do Estado e ao prefeito quando visitam os municípios.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.