Para acelerar impeachment, senadores do PMDB não devem fazer perguntas para Dilma

Presidente afastada terá 30 minutos para fazer uma exposição inicial e depois poderá ser interrogada pelos 81 senadores

Isadora Peron e Fábio Fabrini, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2016 | 16h23

BRASÍLIA - O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), disse que vai orientar a bancada a não fazer perguntas para a presidente afastada Dilma Rousseff na próxima segunda-feira, 29.

A estratégia faz parte do plano dos aliados do presidente em exercício Michel Temer para acelerar o desfecho do julgamento do impeachment. O PMDB tem hoje a maior bancada do Senado, com 19 senadores.

O líder peemedebista disse que está conversando com os correligionários e que vai respeitar aqueles que não abrirem mão de se manifestar. Nomes do partido que apoiam a presidente afastada, como a senadora Kátia Abreu (TO) e Roberto Requião (PR), por exemplo, devem usar o tempo a que tem direito para defender Dilma na ocasião. 

A vinda de Dilma ao plenário do Senado para fazer a sua defesa está prevista para segunda-feira. Ela terá 30 minutos para fazer uma exposição inicial e depois poderá ser interrogada pelos 81 senadores. Cada um terá cinco minutos para fazer perguntas, mas não há limite de tempo para resposta da presidente afastada.

Para acelerar o processo, o PMDB também vai evitar fazer perguntas para as testemunhas que vão depor durante o julgamento. Nesta quinta, apenas o senador Waldemir Moka (MS) está inscrito para inquirir o procurador Júlio Marcelo de Oliveira, representante do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Elogios. Ao afirmar que não pretende questionar Dilma na próxima segunda-feira, Eunício fez elogios à petista. “Eu tenho respeito por ela. Não há por que hostilizá-la”, disse.

Para o peemedebista, não há dúvida de que Dilma é “uma mulher honesta”. Ele disse acreditar que o processo de impeachment avançou não apenas porque ela cometeu erros técnicos, mas porque perdeu sustentação política. Eunício destacou que esse foi o motivo que fez com que outros três presidentes não conseguissem terminar os seus mandatos: Getúlio Vargas, João Goulart e Fernando Collor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.