Evaristo Sá/AFP
Evaristo Sá/AFP

Para a Eurasia, chance de Temer terminar o seu mandato ainda é de 70%

Apesar de Zveiter, Cunha e Tasso, presidente mantém força para ficar no cargo, diz consultoria

André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2017 | 20h16

A consultoria internacional de risco político Eurasia avalia que o presidente Michel Temer continua com capital político suficiente para se manter no cargo, mesmo após fatores recentes que sugerem ameaças, como a nomeação do deputado Sérgio Zveiter para o posto de relator da denúncia contra o presidente, os rumores de que Eduardo Cunha pode fazer uma delação premiada e as insinuações do presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), de que o partido deve deixar o governo.

Para a Eurasia, a chance de Temer terminar o seu mandato ainda é de 70%. "Certamente, novas alegações potenciais levantadas contra Temer poderiam tornar sua posição mais precária", reconhece a consultoria em relatório. "Mas nada disso altera fundamentalmente nossa avaliação sobre a habilidade de Temer de sobreviver no cargo, ou a capacidade de sobreviver a uma votação no plenário da Câmara, provavelmente em duas ou três semanas", sustenta.

A consultoria pondera que o sucesso de Temer na votação da denúncia depende de um "jogo de expectativas". "Os parlamentares provavelmente abandonarão Temer em massa se houver uma expectativa de que ele perderá a votação", diz o texto.

A Eurasia lembra que o presidente só precisa de 172 votos para evitar o avanço da denúncia. O desafio, afirma, está com a oposição para reunir 342 votos, ou dois terços de todos os membros da Câmara. Além disso, diz que o cenário político e econômico é mais tranquilo na gestão de Temer do que no governo de Dilma Rousseff, que enfrentou desafio semelhante no processo de impeachment.

"A economia está se recuperando lentamente, a elite está na melhor das hipóteses dividida, e as ruas são tranquilas. Por outro lado, Temer agora enfrenta acusações muito mais fortes de corrupção em comparação com Dilma, e ele não conta com uma base ideológica de 100 parlamentares como a que apoiou Dilma. Mas, do ponto de vista estrutural, Temer parece estar muito melhor do que Dilma estava", compara a consultoria.

Apesar de apostar na manutenção de Temer no governo, a Eurasia afirma que uma eventual vitória do presidente na votação relacionada à denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) "afetará sua capacidade de se defender de quaisquer acusações futuras apresentadas pela PGR que possam levar a uma segunda votação no Congresso".

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