Para a CNI, decisão do STF sobre Lei Fiscal aumenta incerteza na economia

A suspensão de três dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal, decidida quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal (STF), aumenta as incertezas sobre a economia brasileira, pressionando ainda mais a taxa de câmbio. A avaliação foi feita hoje pela coordenadora adjunta da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Simone Saisse Lopes.Para ela, a decisão é uma notícia ruim, porque o País já tem uma alta demanda de gastos. "A Lei de Responsabilidade Fiscal era um avanço, porque restringia esse impulso mais gastador em todos os níveis de governo e especialmente no municipal. O custo maior de captação reduz a oferta de divisas no País", afirmou, ao explicar as causas da pressão sobre a taxa de câmbio. De acordo com a economista, o período ainda é curto, para configurar uma tendência de alta da taxa de câmbio.Para ela, o aumento de incertezas sobre os fundamentos do equilíbrio fiscal pioram um quadro político dominado pelas eleições presidenciais. A coordenadora adjunta lembra que nas eleições de 1998 não houve esse grau de incerteza, porque se conhecia antecipadamente as possibilidades de reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso.A contestação dos princípios básicos do equilíbrio fiscal coincide com um aumento do chamado risco Brasil, medido pelas taxas de risco dos papéis da dívida externa, os chamados C Bonds, que se refletem numa dificuldade maior de captação de recursos externos e, portanto, numa elevação do dólar.Como parte desse ambiente negativo, ela menciona também a persistência da crise argentina e a ausência de iniciativas de solução de mais longo prazo. "A crise argentina é um dado negativo porque pode intranqüilizar os investidores", afirmou.

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