Eraldo Peres/AP
Eraldo Peres/AP

Para 40% dos brasileiros, governo Bolsonaro é ruim ou péssimo, diz pesquisa

Avaliação negativa da atual gestão sobe 8 pontos porcentuais em relação a dezembro, aponta Datafolha

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2021 | 21h12

O governo do presidente Jair Bolsonaro é avaliado como ruim ou péssimo por 40% dos brasileiros, segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada nesta sexta-feira, 22. Houve um aumento de oito pontos porcentuais na avaliação negativa desde o levantamento anterior, feito no início de dezembro.

O resultado é colhido em meio a um contexto de piora da pandemia de covid-19, dificuldades na vacinação no País e o fim do auxílio emergencial.

Bolsonaro é considerado ótimo ou bom por 31% – em dezembro, a avaliação positiva estava em 37%. Já a taxa de avaliação regular ficou em 26%, ante 29% anteriormente.

Apesar do aumento do desgaste de Bolsonaro, a taxa de brasileiros contrários ao impeachment oscilou para cima, passando de 50% em dezembro para 53% agora. Os que defendem a abertura de um processo contra o presidente por crime de responsabilidade são 42% – no mês passado, eram 46%. Outros 4% não responderam.

Os 37% de avaliação positiva que Bolsonaro obteve em dezembro representaram o melhor resultado do presidente desde que tomou posse, segundo a série histórica do Datafolha. Com a concessão do auxílio emergencial a milhões de brasileiros, Bolsonaro melhorou sua performance principalmente entre os mais pobres e em regiões onde colheu resultados ruins na eleição presidencial. Os números de agora indicam reversão daquela tendência. 

O presidente tem agora taxa de avaliação negativa (soma dos porcentuais de ruim e péssimo) próxima de seu pior momento na série histórica do Datafolha. Em junho, ele tinha 44% de ruim e péssimo, e 32% de ótimo e bom.

Em comparação com seus antecessores, Bolsonaro é o segundo presidente mais mal avaliado, quando se considera na comparação o atual momento do mandato. Dilma Rousseff, por exemplo, estava com apenas 7% de avaliação negativa na metade do primeiro mandato, e era considerada boa ou ótima por 62%.

Apenas Fernando Collor teve desempenho pior. Em seu segundo ano de mandato, em 1992, ele era desaprovado por 48%. Naquele momento, porém, o então presidente já sofria o desgaste das denúncias que levaram à abertura de um processo de impeachment. Ele renunciou antes de começar o terceiro ano do mandato.

Pandemia

O aumento de contaminações e mortes por covid-19 e a crise sanitária no Amazonas, onde doentes sofrem com falta de fornecimento de oxigênio, são fatores de desgaste para o presidente, segundo indicam os números da pesquisa.

Entre os brasileiros que têm muito medo de contrair o novo coronavírus, a reprovação de Bolsonaro aumentou de 41% em dezembro para 51%. Já a aprovação caiu de 27% para 20%. Entre os que têm pouco medo de pegar a covid-19, a rejeição foi de 30% para 37%, enquanto a aprovação oscilou de 36% para 33%. No grupo dos que afirmam não ter medo do novo coronavírus, 21% reprovam Bolsonaro (ante 18% na sondagem anterior) e 55% aprovam (antes eram 53%).

Palavra

Ainda segundo a pesquisa, 50% consideram que Bolsonaro não tem capacidade para governar, ante 52% em dezembro. Já a porcentagem dos que o consideram capaz ficou em estabilidade, de 45% para 46%.

O Datafolha divulgou ainda que 41% nunca confiaram na palavra do presidente (eram 37% na pesquisa anterior), enquanto 38% confiaram às vezes (ante 39%) e 19% sempre confiaram (eram 21%).

O Datafolha realizou a pesquisa na quarta e quinta-feira, por telefone, por causa das restrições sanitárias da covid-19. Foram ouvidas 2.030 pessoas em todo o País.

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