Para 30% dos paulistanos, saúde é o ponto fraco da administração

O único neto da dona de casa Sônia de Fátima Ramos, de 43 anos, nasceu dentro de um carro da Polícia Militar, de madrugada, há três meses. "Tudo porque não temos hospital nem pronto-socorro no bairro. Passo todos os dias na frente do terreno na Estrada do M´Boi Mirim, onde ele deveria estar sendo construído, e só vejo mato", queixa-se Sônia. A saúde foi apontada como o pior setor da gestão petista para 30,6% dos entrevistados pela pesquisa InformEstado. Ela mora no Jardim Aracati, bairro carente da periferia sul, na região da Represa Guarapiranga. "A ambulância chegou uma hora depois que Kayky já tinha nascido. Meu sobrinho estava levando a Pamela de caminhão quando encontrou a PM, mas não deu tempo." No orçamento da Prefeitura estava prevista para este ano a liberação de R$ 25 milhões para a construção do hospital municipal de M´Boi Mirim. Mas só havia previsão de liberação de R$ 1 milhão até junho. Nem um real, porém, foi liquidado - ou seja, gasto efetivamente na obra. O contrato para a conclusão desse hospital é de R$ 62 milhões. Por conta disso, apenas o terreno foi comprado e a construção ainda não começou. A situação avança um pouco no hospital de Cidade Tiradentes. Com contrato de R$ 58,7 milhões, R$ 5,569 milhões foram liquidados. A obra está na primeira laje, a passos curtos. "Os dois únicos hospitais que a prefeita prometeu construir até agora não saíram do papel, mas grandes obras de fácil visibilidade são tocadas a todo vapor simultaneamente em vários pontos da cidade, mesmo deixando o trânsito caótico", critica o vereador Roberto Trípoli (PSDB). A Secretaria Municipal da Saúde informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que não comentaria os dados.

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