Papel secreto esclarece morte de guerrilheiro

Exército anotou em 1969 que líder do sequestro de Elbrick morreu por ''ferimentos recebidos''

, O Estadao de S.Paulo

31 de agosto de 2009 | 00h00

Em relatório secreto de 8 de outubro de 1969, o Exército assume a responsabilidade pela morte do guerrilheiro Virgílio Gomes da Silva, codinome Jonas, que chefiou o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick, de 4 a 7 de setembro de 1969. A ação marcou a luta armada contra a ditadura e está registrada no filme O que é isso, companheiro?, baseado em livro homônimo do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que participou do sequestro.A informação é do jornal O Globo, que teve acesso ao documento confidencial, intitulado "Informação n. 2.600", produzido nove dias após Jonas ter sido capturado e morto. Os militares não citam a palavra tortura - segundo relatos de presos políticos, ele foi morto a pontapés -, mas admitem que o guerrilheiro morreu em decorrência de "ferimentos recebidos". O prisioneiro estava sob guarda da Operação Bandeirante (Oban), em São Paulo."Virgílio Gomes da Silva, vulgo Jonas, vulgo Borges, reagiu violentamente desde o momento de sua prisão, vindo a falecer em consequência dos ferimentos recebidos, antes mesmo de prestar declarações", diz o papel secreto. As informações teriam circulado, segundo o jornal, por dez órgãos militares. O dossiê sobre Jonas inclui cópias de três documentos e fotos 3x4, com e sem bigode, acompanhadas de uma anotação à mão: "Jonas - Morto - Participou do Sequestro."FUGAA versão oficial foi dada em 12 de outubro de 1969, quatro dias após o relatório secreto. O registro - "Relatório de Informações n. 28" -, assinado pelo general Aloysio Guedes Pereira, indica que o preso "evadiu-se na ocasião em que foi conduzido para indicar um ?aparelho? da ALN". A sigla refere-se à Aliança Libertadora Nacional, que teve 19 militantes capturados após o sequestro de Elbrick.A viúva de Jonas, Ilda Martins da Silva, de 78 anos, disse que ainda espera encontrar a ossada do marido para fazer o enterro. Segundo ela, esse é um desejo de "toda a família".Procurado para esclarecer as circunstâncias da morte de Jonas, o Exército respondeu por nota. "O Centro de Comunicação Social do Exército informa que não existe documento na Instituição que registre a ocorrência mencionada em sua mensagem."

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