André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

‘Papel dos militares não é puxar saco dos Bolsonaro’, diz Lula

Ex-presidente diz que fardados devem ficar ‘acima da briga política’ e chama presidente de 'boçal'

Rayanderson Guerra, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2022 | 20h52

RIO — O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta quarta-feira, 30, a atuação das Forças Armadas no governo do presidente Jair Bolsonaro. "O papel dos militares não é ficar puxando saco dos Bolsonaro”, disse o presidenciável do PT, em discurso na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Na véspera de 31 de março, aniversário do golpe de 64, o petista afirmou também que os fardados  devem "estar acima da briga política". O governo Bolsonaro deu ao setor militar um papel político, que tinham perdido com o fim da ditadura (1964-1985).

"Os militares são uma instituição do povo brasileiro, para defender o povo brasileiro de inimigos externos. Não têm que ficar puxando saco do presidente, seja Lula, seja Bolsonaro. Eles devem estar acima da briga política", disse Lula, ao lado de lideranças do PT.

Mais cedo, ao defender o armamento da população, em um evento no Piauí, Bolsonaro xingara Lula. "Não podemos admitir que apenas bandidos tenham armas no nosso país, em especial bandidos que gostam de roubar celular de mulher, defendidos pelo bandido maior que não tem um dedo na mão", disse Bolsonaro em referência ao ex-presidente.

Durante o discurso de cerca de uma hora no encerramento de um evento organizado pelo Grupo de Puebla, Lula disse ainda que Bolsonaro é um "boçal". O ex-presidente afirmou ainda que pretende resgatar os símbolos do Brasil, como a Bandeira Nacional e a camisa da Seleção – apropriados pela extrema direita bolsonarista.

"Ele é tão frágil, ele é tão boçal que não tem partido político, o partido dele não tem hino, não tem bandeira e nem programa. Ele pegou a bandeira brasileira e a camisa da Seleção para dizer: esse é o meu partido. Vamos dizer para ele que a bandeira brasileira não é desse fascista", disse.

Em 2002, Lula foi eleito com apoio do atual partido de Bolsonaro, o PL. O vice-presidente nos dois primeiros governos petistas, José Alencar, era filiado a essa agremiação. Bolsonaro filiou-se à legenda em novembro de 2021, após ficar dois anos sem filiação. Deixara o PSL em novembro de 2019.

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