Marcelo Camargo/Agência Brasil
Marcelo Camargo/Agência Brasil

Papel da CGU é ser 'implacável' contra a corrupção, diz ministro

Sem mencionar a Petrobrás, Valdir Simão diz que combate a malfeitos está na agenda pública; antecessor alerta para necessidade de mais controle sobre estatais

Erich Decat e Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

02 de janeiro de 2015 | 16h53

Brasília - No discurso de posse realizado nesta sexta-feira, 2, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Valdir Simão, ressaltou que a instituição será "implacável" contra os desvios ocorridos no âmbito da administração federal. Na avaliação do novo ministro, o tema de combate à corrupção foi inserido na agenda pública de forma "irreversível". Simão ocupou o posto no lugar de Jorge Hage que deixou o comando da CGU após 12 anos de mandato. Ligada à presidência da República, a Controladoria atua como órgão de fiscalização da União.

Com a palavra, Simão não citou diretamente os últimos episódios de corrupção ocorridos na Petrobrás, mas lembrou das declarações feitas pela presidente Dilma Rousseff em seu discurso de posse, segundo a qual é preciso "apurar com rigor tudo de errado que foi feito na Petrobrás e fortalecê-la".

"Como disse a presidente temos que defender as nossas empresas de predadores e inimigos. As estruturas de governança e de compliance devem sim ser criadas e aprimoradas, funcionando em articulação com as ferramentas de auditoria e investigação", afirmou Valdir Simão.

Em um segundo momento, o novo ministro foi ainda mais enfático no papel da CGU no combate à corrupção. "É tarefa da CGU ser implacável com aqueles que não andarem na linha. Se por um lado haverá a mão que orienta, por outro haverá a mão que julga e pune com rigor os desvios. Como disse a presidente Dilma, a corrupção deve ser extirpada da sociedade."

Ao lado de Jorge Hage, o novo ministro também defendeu que no combate à corrupção será necessária uma maior interação com os ministérios, autarquias, fundações, estatais e entes subnacionais. Além disso, considerou como "indispensável" o fortalecimento e modernização dos mecanismos de controle interno. "Pretendo intensificar o uso da Tecnologia da Informação (TI) para incrementar e ampliar o alcance desta Controladoria. Em um mundo cada vez mais digital, é mandatória a aplicação de ferramentas de TI no monitoramento, na fiscalização e na avaliação das políticas públicas", afirmou.

Histórico. Escolhido pela presidente Dilma para o segundo mandato da petista, o ministro é auditor fiscal e servidor de carreira da Receita Federal há 27 anos. Ele foi secretário adjunto da Receita de 2007 a 2008, secretário da Fazenda do Distrito Federal em 2011 e por duas vezes ocupou a presidência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sendo a primeira de 2005 a 2007, e depois de 2008 a 2010.

Desde fevereiro deste ano vinha atuando como secretário-executivo da Casa Civil e nos sete meses anteriores coordenou o Gabinete Digital da Presidência da República. De 2011 a 2013, Valdir Simão ainda foi secretário-executivo do Ministério do Turismo.

Despedida. Ao passar o comando da CGU, Jorge Hage reforçou a necessidade de aprimorar o controle das estatais, sobretudo as de economia mista, como a Petrobrás.

Hage repetiu declarações feitas em dezembro, quando anunciou sua saída da controladoria. Segundo ele, o País deve viver um "segundo ciclo" do controle público com foco nas empresas estatais. Voltou a chamar atenção para o fato de as empresas de economia mista ficarem de fora do sistema de controle do Executivo. "E é bom lembrar que é por elas que passa hoje a parcela mais vultosa dos investimentos federais", disse o ex-ministro.

Jorge Hage defendeu ainda em seu discurso de despedida a necessidade da realização de reformas política e do processo judicial. Para ele, a despeito de dependerem do Congresso Nacional, as reformas "só acontecerão se forem abraçadas e lideradas pelo Executivo".

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