Papa pede à CNBB fidelidade a Roma

O papa João Paulo II exortou nesta quinta-feira os católicos brasileiros a seguir com fidelidade os princípios da doutrina autêntica da Igreja, sem se deixarem levar pela "influência negativa" de outros grupos religiosos, "hoje muito difundidos no País e muito fortes em certas regiões".Em audiência, em Roma, a 64 representantes do Regional Sul 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que reúne as dioceses do Estado de São Paulo, o papa falou também da importância da eucaristia na vida dos cristãos, pediu que se respeite o domingo como dia do Senhor e recomendou aos fiéis que não se desviem dos ritos e textos da liturgia."Há uma tendência de nivelar as religiões e as diversas experiências espirituais segundo um mínimo denominador comum, de forma que pareçam quase equivalentes e que cada pessoa se sinta livre para seguir indiferentemente qualquer dos vários caminhos propostos para a salvação", afirmou o papa, conforme o texto divulgado pelo Serviço de Informação do Vaticano (VIS).João Paulo II atribuiu a evasão de católicos para outras crenças "à grave carência religiosa que leva à indecisão acerca da necessidade da fé em Cristo e de adesão à Igreja por ele instituída". O papa aconselha o episcopado "a renovar o estilo de acolhida nas comunidades eclesiais e a estimular uma evangelização nova e decidida".Em defesa de uma liturgia autêntica, João Paulo II advertiu que, embora tais manifestações sejam típicas do povo brasileiro, "uma aplicação errada do valor da criatividade e da espontaneidade nas celebrações não deve alterar os ritos e os textos".Depois de ressalvar que a Igreja reconhece que o Brasil é uma sociedade multicultural e que cada grupo étnico e cada cultura tem papel importante a desempenhar, o papa chama a atenção para o "delicado" tema da inculturação (incorporação de valores de um grupo sem renunciar à própria identidade), "especialmente nos ritos litúrgicos, na terminologia e nas expressões musicais e corporais características da cultura afro-brasileira".João Paulo II adverte que "seria incompreensível dar ao rito litúrgico uma apresentação externa e uma estrutura baseada nos trajes, na linguagem, no canto, nas cerimônias e nos objetos sem a aplicação rigorosa de um discernimento sério e profundo acerca de sua compatibilidade com a verdade revelada por Jesus Cristo".Numa referência ao sincretismo religioso que "põe em perigo a identidade da fé católica", o papa disse que a liturgia autêntica não pode se confundir com "o panteão dos espíritos e divindades dos cultos africanos".A Igreja, acrescentou João Paulo II, "observa com interesse esses cultos, mas considera prejudicial o relativismo concreto de uma prática comum de ambos (cultos católicos e afros) ou sua mescla, como se tivessem o mesmo valor".O bispo de Lages (SC), d. João Oneres Marchiori, responsável pelo ecumenismo e diálogo inter-religioso na CNBB, comentou que a orientação do papa é muito bem-vinda numa hora em que a Igreja analisa a evasão de católicos, tenta renovar seus métodos de evangelização e busca novos caminhos de aproximação com outros grupos cristãos.

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