Papa manda recado a bispos brasileiros

O papa João Paulo II advertiu os bispos do Maranhão, na manhã do último sábado, no Vaticano, que "não é possível pensar nos desafios da Igreja do Brasil limitando-se a algumas questões, importantes, mas circunstanciais, relativas àpolítica local, à concentração da terra, à questão do meio ambiente e assim por diante".O papa disse que, "mesmo levando-se em conta osdelicados problemas sociais existentes, não se deve reduzir a ação pastoral à dimensão temporal e terrena".Numa mensagem distribuída à delegação do regional Nordeste 5, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o papa frisou que"reivindicar para a Igreja um modelo participativo de caráter político, em que as decisões são votadas na base, limitado aospobres e excluídos da sociedade, mas abstraído da presença de todos os segmentos do Povo de Deus, desvirtuaria o sentido original redentor preconizado por Cristo".O arcebispo de São Luís, d. Paulo Eduardo Andrade Ponte, que participou da audiência de João Paulo II com mais 11 bispos do regional Nordeste 5, interpretou as palavras do papa como umaadvertência a todos os cristãos. "Essa mensagem lembra que Jesus Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores, não apenas os pobres e os excluídos, mas também aqueles que os exploram,pois sua misericórdia se estende aos ricos e aos orgulhosos."D. Paulo Ponte informou que o papa distribuiu a mensagem após a celebração da missa com os bispos do Maranhão, em sua capela particular. "João Paulo II não leu o texto, por causa deseu estado de saúde, mas cumprimentou e abençoou cada um de nós", revelou o arcebispo.Foi o quarto encontro do papa com os membros do Nordeste 5, durante a visita ad limina (visita que os bispos fazem a Roma a cada cinco anos, para prestação de contas de sua administração), na semana passada.O boletim do Serviço de Informação do Vaticano, que só divulgou nesta segunda-feira o texto da mensagem, destacou também um apelo de João Paulo II em defesa da integridade da doutrina católica. "É dever fundamental do bispo, como pastor, convidar os membros das igrejas particulares (dioceses) a eles confiadas a aceitar em toda a sua plenitude o ensinamento da Igreja, a respeito das questões de fé e de moral", disse o papa.Depois de lembrar que "a consciência (dos fiéis) é um tribunal exigente, cujo juízo deve se conformar sempre às normas morais reveladas por Deus e propostas com autoridade pela Igreja com a assistência do Espírito Santo", o papa insistiu na necessidade da confissão para o perdão dos pecados."Um claro e unívoco ensinamento a respeito dessasquestões não deixará de influir de maneira positiva no necessário retorno ao sacramento da reconciliação, hoje infelizmente - também nas regiões católicas de vosso País - bastante abandonado."D. Paulo Ponte acredita que João Paulo II fez essarecomendação pensando na situação do Maranhão. "Eu, que sou cearense, notei que a prática da confissão é muito mais baixa naarquidiocese de São Luís do que no Ceará", observou o arcebispo. "Tanto assim que resolvi incentivar a volta a esse sacramento com instalação de quatro confessionários no Santuáriode São José do Ribamar, cidade do litoral maranhense."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.