Papa canoniza cinco beatos espanhóis

Em meio a uma multidão de cerca de 1 milhão de pessoas, que formavam a figura de uma cruz, o papa João Paulo II, com inusitada energia, canonizou neste domingo cinco beatos espanhóis e exortou os fiéis da Espanha a seguirem o exemplo de seus compatriotas. "Adeus Esapanha", disse o pontífice de 82 anos ao final de uma missa de quase três horas de duração na Plaza Colón no centro de Madri. A família real espanhola e a maior parte da equipe de governo estiveram presentes à missa, durante a qual a multidão lotou as quatro avenidas que convergem para a praça. Ali, um grande altar foi levantado para a missa de canonização, realizada sob um céu aberto e um dia ensolarado.A cerimônia foi para canonizar dois sacerdotes e três freiras que viveram no século XX e que se dedicaram a ajudar os pobres. Gigantescas imagens dos cinco foram colocadas na fachadade um prédio de escritórios que domina a praça. Um dos sacerdotes canonizados, Pedro Póveda, foi assassinado em 1936, no início da Guerra Civil espanhola. AIgreja afirma que 4.184 clérigos morreram durante a guerra, em mãos do governo dos republicanos, que acusavam a Igreja de apoiar o general falangista Franciso Franco. Os outros quatro santos são Angela de la Cruz, que fundou a ordem das Irmãs da Companhia da Cruz; Genoveva Torres, fundadora das Irmãs do Sagrado Coração e dos Santos Anjos; Maravillas de Jesús, que instaurou os conventos da ordem das Carmelitas Descalças, e José María Rubio, um sacerdote jesuíta.Os cinco foram qualificados pelo papa como exemplos maravilhosos para os católicos espanhóis. O Vaticano indica que 90% dos cidadãos da Espanha são católicos, embora pesquisas mostrem que a freqüência às igrejas se reduziu de forma marcante nas últimas décadas.A cerimônia deste domingo aumentou para 469 o número de santos proclamados por João Paulo durante seu pontificado de quase 25 anos. Ele proclamou mais santos do que qualquer outro pontífice, destacando a necessidade de que os católicos da atualidade contem com mais modelos a seguir. O papa - que completa 83 anos este mês e apresenta sintomas evidentes do mal de Parkinson, locomovendo-se habitualmente com dificuldade - mostrou-se excepcionalmente durante esta viagem à Espanha, sua primeira em nove meses e início de uma nova série. João Paulo é o papa que mais visitas realizou ao estrangeiro na história do pontificado. Em junho, Sua Santidade deverá visitar a Croácia - em sua viagem número 100 - e em seguida a Bósnia, no mesmo mês. O porta-voz do papa, Joaquín Navarro-Valls, disse neste domingo que, se tudo correr conforme o plano, João Paulo II deverá visitar a Mongólia em agosto, fazendo uma escala na Rússia. A Igreja Ortodoxa Russa se opõe a isso, acusando os católicos de buscar conversões em terras tradicionalmente ortodoxas.

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