Panelaço ocorreu onde Dilma perdeu eleição, afirma Mercadante

Panelaço ocorreu onde Dilma perdeu eleição, afirma Mercadante

Escolhido pelo Palácio do Planalto para comentar reação ao pronunciamento da presidente, ministro diz que manifestar é direito, mas que não há 'terceiro turno'

RICARDO DELLA COLETTA, RAFAEL MORAES MOURA E TÂNIA MONTEIRO, O Estado de S. Paulo

09 de março de 2015 | 13h05


Brasília - O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, afirmou nesta segunda-feira, 9, que o panelaço realizado durante o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff, na noite desse domingo, ocorreu em cidades e em bairros onde a petista perdeu as eleições “por uma grande diferença”. Em defesa da presidente, Mercadante disse que manifestação é "um direito da população", mas ponderou que não há “terceiro turno” eleitoral e pediu para não haver "intolerância".

“A primeira regra do sistema democrático é reconhecer o resultado das urnas. Só tem dois turnos, não tem terceiro turno. Nós vencemos pela quarta vez (as eleições)”, declarou Mercadante.

Durante discurso de Dilma em cadeia nacional de rádio e televisão em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, foram registradas manifestações contra o governo em ao menos sete capitais. Em São Paulo, xingamentos, panelaços e buzinaços foram registrados em bairros como Higienópolis, Perdizes, Aclimação, Ipiranga, Lapa, Moema, Vila Marina, Mooca e Santana. Nas eleições de 2014, a petista teve menos votos do que o então candidato Aécio Neves (PSDB-MG) em São Paulo e em Belo Horizonte. A dimensão do ato pegou o Palácio do Planalto de surpresa. A presidente aproveitou o pronunciamento para defender o ajuste fiscal em curso.

 

 

Depois de participar de uma reunião nesta manhã com o núcleo político do governo, Mercadante foi escalado para comentar os protestos e defender Dilma. Ele argumentou que Dilma sempre usa a cadeia de rádio e televisão para o dia da mulher e destacou que toda manifestação pacífica “é um direito da população”, mas pediu que não haja “intolerância” ou “radicalismo”. Ele demonstrou ainda “preocupação” com o momento pelo qual o País atravessa: recém-saído de uma eleição “bastante polarizada”, com momento de “radicalização”.

“Precisamos construir uma cultura de tolerância, de diálogo e respeito. Uma agenda de convergência é fundamental para o País poder superar dificuldades conjunturais o mais rápido possível, garantir a estabilidade (econômica) e a retomada do crescimento”, afirmou.

Ainda no início da madrugada, dirigentes do PT avaliaram o panelaço como uma "orquestração com viés golpista". A exemplo de Mercadante, o partido afirmou que a reação ao discurso da presidente foi restrito a setores da "burguesia e da classe média alta". “Mas foi um movimento restrito que não se ampliou como queriam seus organizadores”, disse o secretário nacional de Comunicação do PT, José Américo Dias.

 

Tudo o que sabemos sobre:
Dilma Rousseff

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.