Alan Santos / PR
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Pandemia obriga Planalto a fazer cerimônia enxuta de 7 de Setembro; Maia não vai

Presidente participa de evento fechado no Palácio da Alvorada e deve fazer pronunciamento em cadeia de rádio e TV à noite

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2020 | 15h14

BRASÍLIA - Em substituição ao tradicional desfile do Dia da Independência, o presidente Jair Bolsonaro participa, na manhã desta segunda-feira, 7, de um evento fechado no Palácio da Alvorada. A versão enxuta da cerimônia deve contar com o hasteamento da bandeira nacional e uma breve apresentação da esquadrilha da fumaça por cerca de 10 minutos. À noite, Bolsonaro fará um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão.

Para o evento da manhã, às 10 horas, em frente ao Alvorada, foram convidadas algumas das principais autoridades de Brasília, como os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, além de ministros de Estado.

Após o desentendimento entre Maia e o ministro da Economia, Paulo Guedes, se tornar explícito na última semana, o presidente da Câmara optou por não comparecer à celebração no Palácio da Alvorada. Segundo a assessoria de Maia, o parlamentar embarcou para o Rio de Janeiro na última sexta-feira e só deve retornar à capital amanhã no fim do dia. No ano passado, ele também não compareceu ao desfile do 7 de setembro porque estava em viagem ao Catar.

Toffoli e Alcolumbre devem prestigiar a solenidade. De acordo com a Secretaria Especial de Comunicação da Presidência (Secom), a cerimônia é restrita para as autoridades convidadas e para a imprensa.

Há um mês, o Ministério da Defesa determinou o cancelamento do desfile de 7 de setembro, que comemora o 198º Aniversário da Proclamação da Independência do Brasil. Na portaria, a pasta destacou que, em razão da pandemia da covid-19, não é recomendável pelas autoridades sanitárias "a promoção de eventos que possam gerar aglomerações de público, devido ao risco de contaminação".

"As condições atuais indicam que tal recomendação deva ainda vigorar durante o mês de setembro, abrangendo, assim, o período de celebração do 198º Aniversário da Proclamação da Independência do Brasil", afirma a portaria.

No ano passado, Bolsonaro usou a data de 7 de setembro para tentar melhorar a imagem e reagir a pesquisas que mostravam um aumento da reprovação de sua gestão. Na véspera, ele conclamou as pessoas a saírem de verde e amarelo nas ruas, em uma demonstração de apoio ao seu governo e ao que chamou de “patriotismo”.

Bolsonaro acompanhou o tradicional desfile do Dia da Independência, na Esplanada dos Ministérios, ao lado do líder da Igreja Universal, Edir Macedo, e o dono da rede de televisão SBT, Silvio Santos. Também estiveram presentes no palanque presencial os empresários Marcelo Carvalho, vice-presidente da RedeTV, e Luciano Hang, dono da Havan.

O evento de 2019 foi marcado pela quebra de protocolo por Bolsonaro, que desceu do palanque presidencial e percorreu a Esplanada dos Ministérios acompanhado de seguranças e de ministros, o que pegou os seguranças de surpresa. Em diversos momentos, o presidente caminhou abraçado ao então ministro da Justiça, Sérgio Moro. Os dois cumprimentaram o público aos gritos de “mito” e “Moro”.

Hoje, Moro e Bolsonaro são investigados em um inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que apura se o chefe do Executivo tentou interferir politicamente na Polícia Federal. O ex-juiz federal saiu do governo em abril deste ano, levantando uma série de acusações contra Bolsonaro.

No Twitter, o ministr da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, afirmou que as guerras de independência em terra e no mar contribuíram para a construção do País que existe hoje, "unido, livre e soberano" e que as Forças Armadas fazem parte dessa "história de liberdade e amor à Pátria".

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