Palocci se afasta de Conselho da Petrobrás

Decisão foi tomada mesmo após manifestação pública de apoio feita pelo presidente da estatal

João Domingos e Kelly Lima, de O Estado de S. Paulo

08 de junho de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - Além de pedir demissão da Casa Civil, o ex-ministro Antonio Palocci solicitou afastamento do Conselho de Administração da Petrobrás, segundo fontes do governo. Como conselheiro da estatal, ele participava de reuniões e recebia cerca de R$ 6 mil por mês.

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Interlocutores de Palocci disseram que ele pretende voltar para São Paulo e passar um período sabático, antes de retomar suas atividades privadas - no ano passado, o petista não disputou nenhum cargo eletivo. O ex-ministro não foi ao gabinete, no quarto andar do Palácio do Planalto, e deixou para seus auxiliares a missão de limpar suas gavetas.

 

Palocci decidiu deixar o conselho da Petrobrás mesmo tendo em defesa de sua permanência o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli. Pela manhã, no Rio, o executivo disse que Palocci não teria motivos para deixar o assento no conselho, cargo para o qual havia sido eleito no fim de abril.

 

Segundo Gabrielli, os convites feitos para integrar o conselho são direcionados às pessoas físicas e não estão atrelados ao cargo que elas ocupam no governo. "O ex-ministro Palocci foi eleito por um ano", afirmou, destacando que a eleição acontece na assembleia geral ordinária de acionistas, um evento anual. "Não cabe à Petrobrás qualquer decisão sobre isso."

 

Gabrielli defendeu Palocci, a quem qualificou como "pessoa de alta competência". "A Procuradoria arquivou as denúncias e ele renunciou para não prejudicar o governo. Se ele decidir ficar ou não (no conselho), é com ele."

 

Precedente. Já houve outro episódio em que um ex-ministro afastado do governo sob suspeitas de irregularidades foi mantido no conselho da Petrobrás. O engenheiro Silas Rondeau, ex-ministro de Minas e Energia do governo Luiz Inácio Lula da Silva, foi conselheiro até abril deste ano, mesmo tendo deixado o ministério em maio de 2007, acusado de favorecer empreiteiras em licitações públicas.

 

Rondeau fora eleito para o conselho logo após assumir a pasta no lugar da então ministra Dilma Rousseff. O atual ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, não foi indicado para o cargo por ter mandato de senador.

 

Com mínimo de cinco e máximo de dez membros, o conselho é um órgão autônomo. Cada conselheiro recebe em média R$ 6 mil para ir a reuniões mensais. Está entre suas atribuições definir o plano estratégico de investimentos e indicar a forma de desenvolvimento de projetos.

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