Palocci pode não durar muito, afirma The Economist

A revista The Economist, em sua edição que chega às bancas nesta sexta-feira, afirma que a pressão sobre o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, está crescendo. "Sua confiança no ministro das Finanças, Antonio Palocci, é inabalável, insistiu nesse mês o presidente Luiz Inácio Lula da Silva", diz a revista britânica. "Isso significa, é claro, que ele poderá não durar muito."A Economist lembra que Palocci vem há meses espantando denúncias de corrupção dos tempos que ele era o prefeito de Ribeirão Preto e de quando coordenou a campanha eleitoral de Lula em 2002. "Repentinamente, algumas das acusações parecem mais críveis e as negativas de Palocci têm ficado mais frágeis", disse a revista. "Ele tem sido, dentro do governo, o defensor mais destacado da estabilidade econômica e reformas. Agora seu futuro parece incerto - apenas seis meses antes de uma eleição presidencial na qual Lula quase certamente buscará um segundo mandato", afirma a revista.Tentativa de desacreditarA Economist observa que Francenildo Costa, caseiro da mansão utilizada em Brasília pela chamada república de Ribeirão, disse a um jornal ter visto o ministro "dez ou vinte vezes" no local. A posição de Palocci, acrescenta a revista, foi prejudicada ainda mais pelo que parece uma tentativa de desacreditar o caseiro. A entrevista citada pela revista foi publicada com exclusividade pelo Estado.Segundo a revista, a oposição, "que sempre tratou Palocci com gentileza, agora quer sua cabeça, na esperança de que isso poderá prejudicar" as chances de eleição de Lula. "A fé de Lula em seu ministro é sem dúvida estimulada pelo cálculo que sua demissão, que poderá expô-lo à prisão, seria mais custosa do que mantê-lo no governo."Os mercados financeiros, observa a Economist, têm se mantido calmos diante da perspectiva que seu sucessor seria Murilo Portugal, que manteria a política econômica. "Sua falta será sentida se Lula ganhar um segundo mandato", afirma. "Palocci defende uma reforma fiscal de longo prazo, que é necessária para estimular o crescimento. Ninguém mais no PT reúne seu zelo reformista e estatura."

Agencia Estado,

23 de março de 2006 | 18h21

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