Palocci pode ficar no Planalto, mas terá de explicar crise no Congresso

Governo Dilma negocia ainda troca de Luiz Sérgio, cuja atuação na articulação política tem se mostrado deficiente

Denise Madueño/BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2011 | 13h29

O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, pode permanecer no cargo sem, no entanto, acumular a articulação política do governo, como tem acontecido na prática. Esse cenário foi traçado nesta manhã, segundo fontes ligadas ao Palácio do Planalto. Nesse novo formato, a presidente Dilma Rousseff trocaria o ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, cuja atuação tem se mostrado deficiente e aquém das expectativas.

 

Nessa mesma estratégia, há uma negociação em curso para que Palocci vá à Câmara para prestar esclarecimentos sobre a evolução de seu patrimônio nos últimos quatro anos. O depoimento de Palocci está sendo articulado de forma combinada entre o ministro e o presidente da Câmara, Marco Maia, e pelo líder do governo na Casa, Cândido Vaccarezza (PT-SP), com a ajuda do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN).

 

Palocci, no entanto, não seria convocado, como prevê o requerimento da oposição aprovado pela Comissão de Agricultura na semana passada. Essa convocação deverá ser anulada por Marco Maia em sessão extraordinária da Câmara que deverá acontecer por volta das 19h. Um novo requerimento, dessa vez na forma de convite, deverá ser aprovado em uma outra comissão. Uma das hipóteses é a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cujo presidente é do PT, o deputado João Paulo Cunha (SP).

 

Segundo fontes governistas, o cenário nesta manhã é de permanência de Palocci no cargo com a troca do ministro Luiz Sérgio. Essa seria a posição defendida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo essa avaliação, Palocci acabou sofrendo o desgaste político por acumular muito poder. Com um ministro de Relações Institucionais mais forte e que se imponha mais, Palocci, na Casa Civil, teria reduzido sua influência e poderia se recuperar desse desgaste político.

 

Apesar da costura institucional para manter Palocci no governo, ainda há setores que defendem a saída do ministro da Casa Civil. Segundo fontes, Dilma já teria pensado em outros nomes para o cargo. Esses setores temem que se mantenha a suspeita de tráfico de influência em negócios milionários de consultoria e que o governo seja permanentemente lembrado por esse episódio. No entanto, no momento, as articulações seguem no sentido de manter Palocci. Nesta manhã, a coordenação da bancada do PT na Câmara se reuniu e decidiu defender a permanência de Palocci.

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