Palocci pede que Genoino segure as críticas públicas

Preocupado com os efeitos da cobrança petista por novos rumos na economia, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci Filho, pediu ao presidente do PT, José Genoino, "mais mediação" entre o partido e o governo para evitar críticas públicas. Em telefonema a Genoino, no fim de semana, Palocci reclamou do tom do documento aprovado na sexta-feira, durante reunião do PT em São Paulo. O ministro queixou-se mais do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também ligou para Genoino. Apesar de se recusar a contar o teor das duas conversas, Genoino insistiu em que o PT tem direito de cobrar e reivindicar mais agilidade e ousadia do governo. "Isso faz parte de um PT vivo e dinâmico", argumentou. Mas, depois de ouvir as ponderações de Lula e Palocci, ele tentou amenizar a fúria petista, que pressiona por mudanças. "A nota pública do partido não é crítica à política monetária, fiscal e de juros", desconversou. "Falamos de política econômica num sentido amplo, pois as pesquisas mostram que as maiores preocupações da população são com emprego, segurança e investimentos." Genoino também fez um afago no ministro da Fazenda. "Palocci merece todo o nosso apoio e respeito", disse. Versão original era mais brandaNa versão original do texto não havia uma crítica tão explícita à política econômica. Foi Valter Pomar, secretário de Cultura da prefeitura de Campinas e terceiro vice-presidente do PT que propôs a inclusão do trecho, aprovado por unanimidade na reunião da cúpula petista. Pomar é da corrente Articulação de Esquerda, mas não foram só os radicais que chiaram. Quase todos os oradores que se revezaram ao microfone durante o encontro a portas fechadas desenganaram a economia e defenderam o ministro da Casa Civil, José Dirceu, do tiroteio. Mais: mostraram suas insatisfações com o gerenciamento da crise política e a rede de intrigas no Planalto. Da ala moderada, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), disse que o governo precisa seguir outra rota com urgência, sob pena de sofrer profundo desgaste nas eleições municipais deste ano. O coro dos insatisfeitos será engrossado quinta-feira, na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social - a primeira depois da crise provocada pelo ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil Waldomiro Diniz. "Mudanças precisam ser feitas, pois não podemos continuar com PIB zero, massa salarial caindo e desemprego crescendo", reforçou o secretário-geral da CUT, João Antônio Felício, integrante do Conselho. "Não sei por que todo esse pandemônio por parte do governo." Fogo amigoA CUT também promete pôr mais lenha no fogo amigo nos dias 14 e 15 de abril, quando promoverá um seminário para debater o tão falado novo modelo de desenvolvimento. A central já está convidando economistas de várias correntes, como o deputado Delfim Neto (PP-SP) e Luciano Coutinho. "Do jeito que as coisas estão indo, com a barbeiragem da equipe econômica em manter a taxa de juros em 16,5%, o crescimento previsto para 2004 não será suficiente para resolver o problema do emprego", protestou o presidente da CUT, Luiz Marinho, que também comanda o Conselho de Segurança Alimentar (Consea). Interlocutor freqüente de Lula, ele insistiu: "Não vamos dar sossego porque, assim como está, o presidente não conseguirá cumprir a promessa de dobrar o valor do salário mínimo em quatro anos."

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