Palocci insiste que nunca foi à casa do Lago nem dirigiu em Brasília

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, telefonou para a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), e para o senador Tião Viana (PT-AC), afirmando que estava "indignado mas tranqüilo" com a declaração do caseiro Francenildo Santos Costa, o Nildo, que afirmou que Palocci era freqüentador de uma mansão alugada no Lago Sul, em Brasília, ondese reuniam representantes da chamada República de Ribeirão Preto para partilha de dinheiro e realização de festas.Segundo Viana, Palocci insistiu em sua afirmação anterior de que nunca foi àquela casa e voltou a desmentir afirmação do caseiro de que ele chegava lá dirigindo um automóvel Peugeot prata, pois nunca dirigiu carro em Brasília. "Como fui dez a 20 vezes dirigindo o carro do Barquete (Ralf Barquete, ex-assessor de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto) é algo que nos causa espécie", teria dito o ministro. Palocci insistiu com Tião Viana em que os 13 mil contratos feitos em sua gestão na prefeitura daquela cidade paulista foram investigados e nada se apurou contra ele. Palocci afirmou que o escolheram como alvo e querem vinculá-lo às denúncias de Ribeirão Preto. Disse lamentar que possa estar alimentando essa onda denuncista. O ministro teria afirmado que respeita a matéria publicada hoje pelo Estado, mas que ela faz parte de uma onda de ataques contra ele.Tião e Ideli levantaram a suspeita de que o caseiro esteja sendo protegido por algum parlamentar de oposição e mantido escondido para fazer as denúncias. Segundo Viana, isso é típico de ano eleitoral. "Tem uma volúpia denuncista de setores da oposição", afirmou, manifestando suspeita de que as denúncias do caseiro sejam uma manobra da oposição.Viana disse não ver motivos para que o ministro da Fazenda volte à CPI para prestar novo depoimento, agora sobre essas novas denúncias e apontou diversas contradições entre o depoimento do motorista Francisco das Chagas Costa, prestado à CPI dos Bingos, e o do caseiro Nildo. O primeiro afirmou ter visto Palocci duas ou três vezes na casa do Lago Sul, só de dia, enquanto o caseiro disse tê-lo visto dez a 20 vezes, inclusive à noite.Outra contradição nas denúncias de Nildo seria que ele afirma, uma vez, que o dinheiro era guardado num quarto fechado. Depois, na mesma entrevista, ele disse que o dinheiro era abertamente repartido e distribuído entre freqüentadores da casa.

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