Palocci está desconfortável com rumo da reforma da Previdência

As negociações no Congresso para modificar o texto da reforma da Previdência estão causando desconforto em setores do governo e elevando, ainda mais, o temor de que a proposta de emenda constitucional seja desfigurada. A tentativa de manter a integralidade dos vencimentos - proposta inicialmente apresentada pelo Judiciário e encampada pelos líderes da base aliada- introduziu um elemento de incerteza quanto a consistência estrutural da reforma. À esta altura pouco importa as avaliações do próprio governo de que não há impacto negativo nas contas da Previdência. O que está em jogo é um dos princípios básicos da reforma e sua modificação poderá gerar desdobramentos na condução da política macroeconômica, na avaliação de fontes do governo. O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, segundo fontes consultadas pela Agência Estado, está desconfortável com a discussão e aguardará o retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontra na Europa, para conter as tentativas de desfiguração da reforma. A proposta da reforma da Previdência é um dos pilares nos quais está sustentada a política macroeconômica definida não por Palocci, mas pelo governo do presidente Lula. Sua desfiguração, na avaliação de fontes do governo, poderá gerar um novo clima de desconfiança no mercado, colocando por terra a estabilidade assegurada até agora. Essa linha de raciocínio, desenvolvida com cuidado por integrantes da equipe governamental, parte do pressuposto de que se prevalecer entre os agentes financeiros a leitura de que o presidente Lula cedeu, dificilmente se terá ambiente interno e externo para se avançar em questões cruciais para a economia doméstica, como a queda das taxas de juros. "O cenário mudará", admite uma fonte. PressõesHoje, a avaliação é que o mercado foi cauteloso na sua reação diante da notícia de que o governo cedeu às pressões e resolveu atender aos segmentos organizados da sociedade na defesa da manutenção de privilégios. "Mas o momento é delicado", admitiram fontes políticas. O resultado dos últimos embates já são contabilizados como negativos ao governo. Primeiro, enfrentou-se a questão das invasões de terra pelo Movimento dos Sem-Terra (MST), na esteira da crise criada com o reajuste das tarifas telefônicas e as indefinições quanto aos marcos regulatórios. Agora, convive-se com a dificuldade de conter as negociações para mudar a reforma da Previdência, colocada em risco. E já se prenuncia um problema que não é menor: as pressões a que está submetido o relator da reforma tributária, deputado Virgílio Guimarães (PT-MG), para que o governo ceda em relação ao recolhimento da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e na partilha entre Estados e municípios.

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