Palocci é uma surpresa cada dia mais agradável, diz Ruy Mesquita

O diretor do Grupo Estado, jornalista RuyMesquita, afirmou nesta segunda-feira, ao fazer uma avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula daSilva, que o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, é uma "surpresa cada dia mais agradável". Ao ser entrevistado no programa Roda Viva, apresentado pela TV Cultura, ele destacou que a eleição do presidente Lula, para a imagem do País no exterior, "foi mais importante que a de Fernando Henrique Cardoso". A política do governo para os juros, porém, foi criticada."Esse é um erro que o governo está cometendo.(...) Hoje os juros no comércio são um escândalo."O jornalista afirmou que é "absolutamente falsa" a idéia de que os Estados Unidos participaram da conspiração ou do golpemilitar de 1964. "Os americanos, como fazem sempre, estavam atentos a tudo. O que houve é que o comando mais alto da revolução procurou o embaixador americano, Lincoln Gordon, para pedir que os americanos reconhecessem o estado debeligerância", esclareceu.Segundo Ruy Mesquita, o governo militar pós-Castello Branco não só seguiu posições independentes dos Estados Unidos, como seguidamente adotou medidas contrárias à política americana, "como se viu em organismos internacionais, como a OEA (Organização dos Estados Americanos)". "Houve mesmo um alinhamento automático contra os Estados Unidos."De acordo com o diretor do Grupo Estado, a ação militar de 64 começou a ganhar contorno com a renúncia do presidente Jânio Quadros, em1961. "É preciso entender que o fenômeno João Goulart nasceu com a traição de Jânio Quadros, o que levou à ascensão do Jango. Essa é a origem remota do golpe de 64." Ele ressaltou, ainda, que o que levou ao golpe de 64 foi menos a ameaça de uma revolução comunista e mais a "subversão da ordem hierárquica dos militares".Indagado por um ouvinte, o diretor do Grupo Estado avaliou que nos dias atuais não há a menor possibilidade de um novo golpe: "Hoje a democracia está plenamente consolidada."Na entrevista, Ruy Mesquita disse que houve uma "grande injustiça" com o Exército. Para ele, o Exército não pode ser responsabilizado por "barbaridades" cometidas isoladamente, sem conhecimento dos governos e das autoridades. "Quero restabelecer a memória do Exército brasileiro."

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