Palocci é indiciado pela Polícia Federal

O ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci foi indiciado nesta terça-feira pela Polícia Federal por ter participado da violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, depois de ter tentado transferir a responsabilidade pelo episódio ao ex-presidente da caixa Econômica Federal Jorge Matoso. O indiciamento foi feito logo após a PF ter tomado secretamente o depoimento dele no final da tarde, por três horas, na residência oficial do Ministério da Fazenda.O ministro alegou estar com problemas cardíacos para ser ouvido em casa pelo delegado responsável pelo inquérito, Rodrigo Carneiro Gomes. Palocci continua usando a residência oficial do ministério uma semana depois de ter se afastado do cargo. "O ministro nega peremptoriamente e veementemente a quebra do sigilo. Ele não divulgou, não mostrou e não quebrou o sigilo do extrato", disse o advogado de Palocci, José Roberto Batocchio, durante uma entrevista à noite no Hotel Meliá Brasília.ContradiçãoOrientado pelos advogados, a defesa de Palocci entrou em contradição com o depoimento do ex-presidente da Caixa Jorge Mattoso, segundo o qual o pedido para a quebra do sigilo do caseiro teria partido do próprio ministro. Palocci admitiu ter recebido o extrato, mas atribuiu a Mattoso a iniciativa inicial pela quebra do sigilo.Diante do depoimento, a assessoria da Caixa contestou a versão apresentada pelo ex-ministro, enfatizando que a ordem para a quebra do sigilo partiu de fora da instituição, assim como a divulgação do extrato. "Não há nenhuma dissonância entre a versão do Palocci e do Mattoso", tentou argumentar Batocchio.A históriaA história contada pelo ex-ministro à PF foi a seguinte: no dia 16 de março, ele estava em uma reunião no Palácio do Planalto com o presidente da Caixa, que deixou o encontro mais cedo, dizendo que precisava falar com Palocci sobre planos de expansão internacional da instituição. Os dois combinaram uma conversa mais tarde.À noite do mesmo dia, o presidente da Caixa foi à residência de Palocci, onde também estavam o assessor Marcelo Neto e o secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça, Daniel Goldberg. De acordo com Batocchio, a conversa entre os dois ocorreu a sós e durou apenas cinco minutos, durante os quais Mattoso falou do interesse em abrir uma agência no Japão e entregou o extrato do caseiro, consultando se deveria encaminhá-lo ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).O ex-ministro teria respondido que o presidente da Caixa deveria agir de acordo com a lei, mas ficou com a cópia do extrato para analisá-la. "Ele recebeu o extrato, examinou no dia seguinte e, quando se preparava para devolvê-lo, recebeu a informação de que o Coaf já tinha sido comunicado", disse Batocchio.De acordo com o advogado, o ex-ministro não mostrou o documento para mais ninguém e o teria destruído com um triturador de papel. Ele informou ainda que Palocci estava com eletrodos no peito e na cintura durante seu depoimento e que deverá ser submetido a exames cardíacos.Conversas separadasSobre a presença de Neto e Goldberg na casa de Palocci, no mesmo dia e horário em que Matoso lá esteve, o advogado explicou que as conversas ocorreram separadamente e nada tiveram em comum. "Marcelo Neto e Goldberg estavam na casa para discutir a possibilidade de os processos de Ribeirão passarem ao Supremo Tribunal Federal (STF)", afirmou o advogado.Confrontado com outra explicação para o encontro apresentada à PF pelo secretário do Ministério da Justiça, de que Palocci teria lhe consultado sobre a possibilidade de a PF investigar o caseiro, o advogado admitiu que esse assunto também foi tratado. "Diante ad notícia de que havia um certo senador manipulando um funcionário humilde, o pedido se justificava", disse Batocchio.O advogado e seu sócio, José Roberto Leal, negaram-se a informar se haviam sido contratados pelo PT para defender Palocci. Alegaram sigilo profissional. O advogado não quis dizer se era o PT quem estava pagando a defesa do ex-ministro.

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