Palocci consegue do PMDB trégua para composição de cargos

Ministro da Casa Civil conseguiu também evitar participação do 'núcleo duro', formado pelos ministros Edison Lobão e Nelson Jobim de reuniões de coordenação política

Leonencio Nossa, de O Estado de S.Paulo,

11 de janeiro de 2011 | 15h59

BRASÍLIA - Aos poucos, o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, impõe sua influência nas negociações políticas do Planalto. Em conversas na noite da segunda e na manhã desta terça-feira, 11, ele ajudou a presidente Dilma Rousseff a conter a "fúria" do PMDB por mais espaço no governo e enquadrar os líderes do partido. Palocci conseguiu do vice-presidente Michel Temer e do líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) uma trégua na guerra declarada com o PT por cargos de segundo escalão.

 

Em uma conversa nesta terça, o Planalto, cada vez mais personalizado na figura de Palocci, orientou o PMDB a discutir diretamente com ministros petistas nomes para preenchimento de cargos considerados vitais para a máquina do partido. É o caso da escolha do novo comando da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), órgão subordinado ao ministro petista Alexandre Padilha. Ao mesmo tempo, o partido aceitou não reclamar mais na imprensa de "traições" por parte dos petistas. Pelas conversas, o PMDB terá de assumir uma postura de "partido do governo" e sepultar as desavenças com o PT pelo menos até fevereiro, quando a Câmara e o Senado escolhem seus novos presidentes.

 

Palocci também participou ativamente das negociações para bloquear as tentativas dos ministros Edison Lobão (Minas e Energia) e Nelson Jobim (Defesa) de participarem das reuniões da coordenação política do governo, o chamado "núcleo duro". A dificuldade em acabar com as pretensões políticas dos dois ministros do PMDB se acirrou pela "vaidade exacerbada" deles, relatou um assessor.

 

Pelo formato atual da coordenação, apenas ministros petistas participam dos encontros. O único peemedebista que participa das reuniões é o vice-presidente Michel Temer. No final do ano passado, Jobim chegou a dizer, nos bastidores, que não aceitaria continuar no cargo de ministro da Defesa no governo Lula, reclamando do tratamento dispensado por Palocci.

 

Ao tomar posse no começo do mês, Palocci afirmou em discurso que seria "econômico" nas entrevistas e faria um trabalho mais "interno" na pasta. Ele fez questão de ressaltar no seu discurso que a coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do "Minha Casa, Minha Vida" estavam sendo transferidos da Casa Civil para o Planejamento. Também saíram do comando da Casa Civil órgãos como Imprensa Nacional, Arquivo Nacional e departamentos administrativos do Planalto. O esvaziamento da pasta, no entanto, foi apenas de atribuições burocráticas, observam fontes do Planalto. Demitido do cargo de ministro da Fazenda pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2006, em meio a um escândalo de lobby, Palocci volta a interpretar papel de ministro influente. Ele, no entanto, antes de ser nomeado ministro recebeu recado claro de Dilma de que não aceitará "sombra" nem "eminências pardas" no governo.

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