Palocci cogita ser candidato em SP

PT pressiona ex-ministro a ignorar processo no STF e começar campanha já, mas ele diz que ainda é cedo

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

07 de abril de 2009 | 00h00

O ex-ministro Antonio Palocci rompeu ontem o silêncio sobre a possibilidade de sair candidato nas eleições de 2010, mas adotou um discurso cauteloso. Pressionado por setores do PT a ignorar o caso que corre contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF), Palocci não descartou uma candidatura ao governo paulista. Mas investiu na tese de que ainda é cedo para debater nomes. "Não vou dizer que nunca passou pela minha cabeça. Mas falta um ano e meio ainda. É muito tempo", disse Palocci, que aguarda parecer do STF, sobre a denúncia referente à quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa. O caso, revelado pelo Estado, lhe custou a cadeira de ministro da Fazenda no governo Lula. Sorridente e bem-humorado ao deixar um seminário do PT na Assembleia Legislativa paulista sobre a crise econômica, o ex-ministro admitiu o andamento das primeiras negociações em torno de seu nome. Disse que o PT "está livre para fazer esse debate". Mas desconversou, dizendo não esperar nenhuma definição sobre o assunto no curto prazo. "É normal que o partido debata. Mas eu acho que a escolha de candidatos é só para o ano que vem."Reportagem veiculada ontem pelo Estado apontou que setores do PT pressionam Palocci para que ele coloque de imediato a pré-candidatura e dê o sinal verde para o início das articulações. Abertamente, o ex-ministro vinha evitando o assunto. E, dentro do partido, sua posição tem sido a de aguardar uma decisão do STF antes de se lançar na empreitada. A preocupação de Palocci, dizem aliados, é não "provocar" os ministros do tribunal. A pressa manifestada por seus apoiadores, entretanto, reflete a preocupação em evitar a perda de espaço no processo de escolha do nome que disputará o Palácio dos Bandeirantes pelo PT. Mais do que isso, eles temem que Palocci desista de concorrer, abrindo espaço para outros cotados para a vaga, como o do ministro da Educação, Fernando Haddad. As manifestações para que Palocci ignore o Supremo têm partido, por exemplo, do grupo de apoio da ex-ministra Marta Suplicy.Questionado se está preocupado com julgamento do STF, Palocci preferiu não se estender. "Estou aguardando", limitou-se a dizer, logo antes de entrar no carro que o aguardava na porta da Assembleia. DISCURSO VERDEEnquanto outros petistas aproveitaram o evento de ontem para atacar o governador José Serra (PSDB) e levantar temas relacionados à corrida eleitoral de 2010, Palocci não fez uma menção sequer aos dois assuntos. Em vez disso, concentrou-se no tema da crise econômica e apostou numa forte defesa de questões ambientais. "O tema do aquecimento global vai ser importante para o próximo ciclo de crescimento", afirmou, alegando que "em 20 ou 30 anos" o Brasil e outros países do mundo terão de lidar o custo das variações climáticas. "Também nessa questão, o Brasil precisa se posicionar de maneira clara", acrescentou Palocci. Mas seus colegas de partido assumiram a tarefa de lançá-lo para a sucessão de Serra. "O Palocci, sendo candidato, é o meu candidato", disse Marta, que também participou do encontro. Apesar de seu grupo estar entre os que cobram pressa na definição da candidatura de Palocci, Marta desviou: "O tempo não é eterno, mas não acho que ele precise decidir amanhã". Questionada sobre o fato de seu nome aparecer em vantagem nas pesquisas para o governo, a petista deixou claro que não disputará a vaga com Palocci. "Bom para ele, já que eu vou apoiá-lo", concluiu.

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