Palocci: 'Casa Civil não é autônoma com ideias e projetos próprios'

Durante a posse, o novo ministro relatou as atividades que, a partir de agora, deixam de ser responsabilidade da pasta

Fernando Nakagawa, Agência Estado

02 de janeiro de 2011 | 13h08

Brasília, 2 - O novo ministro da Casa Civil, Antônio Palocci, deu um recado logo no início da cerimônia de posse ocorrida há pouco no Palácio do Planalto: seu trabalho será "mais interno". "A esta Casa Civil, cabe uma ação mais interna com objetivo de servir à presidente nas prioridades e ajuda na coordenação dos programas", disse durante discurso de posse.

 

Palocci lembrou que a Casa Civil "não é autônoma com ideias e projetos próprios". O seu papel, explicou, é apoiar a presidente da República. "O meu esforço será expressar adequadamente o esforço da presidente Dilma", disse Palocci à plateia enxuta, mas composta por nomes importantes, como diversos ministros - como Miriam Belchior (Planejamento), Fernando Pimentel (Desenvolvimento), Alexandre Padilha (Saúde) e Alexandre Tombini (Banco Central) - além de uma série de empresários, como Roger Agnelli, presidente da Vale, Jorge Gerdau Johannpeter, do Grupo Gerdau, e José Luís Cutrale, presidente da Cutrale, maior fabricante de suco de laranja do País e da região de Ribeirão Preto, berço político de Palocci.

 

Durante a posse, o novo ministro relatou as atividades que, a partir de agora, deixam de ser responsabilidade da Casa Civil. Para o Planejamento, foi a missão de acompanhar os projetos como o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida. "E a ministra Miriam terá apoio integral para esse trabalho".

 

Para a Secretaria Geral da Presidência, irá a Secretária de Administração. A vigilância da Amazônia, que também era função da Casa Civil, passa a ser missão do Ministério da Defesa. Por fim, o Arquivo Público Nacional passa às mãos do Ministério da Justiça.

 

"Com isso, fica a Casa Civil concentrada nas funções originais, com integral dedicação e apoio à presidente da República. O trabalho de assessoramento será baseado nas melhores práticas da administração pública", disse Palocci, que prometeu aos presentes trabalhar "arduamente".

 

Palocci usou seu primeiro discurso para avisar aos jornalistas que será econômico nas palavras no novo trabalho. "Aqui, peço a compreensão especial dos amigos da imprensa. A Casa Civil, por não ser ministério fim, não deve expressar opiniões e vontades próprias", disse durante a posse ocorrida há pouco no Palácio do Planalto.

 

Aos jornalistas, Palocci lembrou que, quando ministro da Fazenda, concedia entrevistas frequentes e fazia declarações para prestar contas à sociedade. "Mas penso que a Casa Civil tem funções diferentes. Serei extremamente econômico em entrevistas. Só o farei quando solicitado pela minha chefe", disse.

 

Palocci afirmou, porém, que isso "não significa bloqueio ou distanciamento do trabalho da imprensa". "Estaremos sempre abertos a esclarecimentos, sempre com conteúdo técnico e jurídico. Será uma Casa Civil aberta e transparente", disse.

 

Aproveitou, ainda, para fazer um esclarecimento. Ao comentar que a imprensa tem citado que a Casa Civil poderia cuidar dos temas políticos centrais, Palocci disse entender que jornalistas façam essa avaliação após o trabalho feito por ele para a costura do Ministério. "É uma avaliação de boa fé, mas não é real", disse. "Sei que essa abordagem decorre da montagem do Ministério, mas foram ações determinadas por Dilma. A coordenação política continua a cargo da Secretaria de Relações Institucionais", disse.

 

Palocci, disse durante cerimônia de posse ocorrida há pouco no Palácio do Planalto que "resta muito a falar" após os discursos da nova presidente Dilma Rousseff na tarde do sábado, durante a posse presidencial. Entre os objetivos econômicos destacados por Dilma, Palocci chamou a atenção para o compromisso "inequívoco" do novo governo com a estabilidade de preços e a melhoria do gasto público.

 

No campo político, Palocci destacou o avanço da democracia, com a sinalização de uma reforma política. Citou brevemente no discurso de posse a "valorização do conteúdo programático dos partidos" e o combate à corrupção.

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