Palmas, uma cidade em sítio

Palmas, a capital do Tocantins está sitiada. Os soldados do Exército estãofazendo o patrulhamento das ruas desde hoje à tarde, e no início da noite começaram a avançar rumo ao 1º Batalhão da Política Militar, se posicionando a 200 metros de onde os policiais grevistas estão aquartelados há oito dias. Apesar disso, não houve corte de luz e água, e, de acordo com o comando grevista, há mantimento para abastecer os aquartelados por 60 dias. No BPM de Palmas estão cerca de 900 militares, 200 mulheres e 150 crianças, e a decisão é continuar o movimento grevista até se abra um canal de negociação com o Governo. Há focos de resistências também nas principais cidades do interior do Estado: Gurupi e Araguaína, somando 1.140 homens. De acordo com o comando de greve, cerca de 3.800 policias permanecem no movimento, que reivindica reajuste salarial de 47% sobre o soldo de R$ 520, reformulação do plano de cargos e salários, além de redução da carga horária de trabalho de 80 para 40 horas semanais. O governador Siqueira Campos (PFL) disse que o diálogo só será estabelecido com os comandos, depois da volta aos quartéis. "Sem a normalidade nada será discutido", afirmou, informando ainda que o comando do impasse com a PM está sob a responsabilidade do Exército, que o têm consultado sobre as decisões emanobras adotadas.Consultado sobre a possibilidade do Exército invadir o 1º BPM, o Governador disse que se isso acontecer é porque não houve outra alternativa, e eles estão autorizados a fazê-lo. O governador Siqueira Campos passou temporariamente o comando da PM para o Exército, por decreto, ainda na tarde de domingo, 27.Hoje pela manhã o governador Siqueira Campos recebeu a visita do general Alberto Cardoso, chefe do Gabinete Civil Institucional da Presidência da República que ofereceu apoio ao governo, mas informou que não está participando da operação militar no Tocantins pois o comando não está subordinado a ele.Cardoso evitou comentar a decisão do governo federal de enviar as tropas ao Tocantins, embora tenha sido o responsável pela liberação da tropa. Mesmo com o policiamento do Exército nas ruas, o que trouxe uma certa tranqüilidade aos lojistas e a rede bancária, em Palmas, a Câmara de Diretores Lojistas (CDL) e a Associação Comercial da capital manteve a orientação ao comércio que funciona à noite, como farmácias, postos de combustíveis e casas noturnas, que fechem as portas mais cedo. Desde a semana passada estes estabelecimentos vinha fechando às 22horas. Os prefeitos de Miracema e Colinas do Tocantins, Raínel Barbosa (PMDB) e José Santana (PT), decretaram estado de emergência estipulando mudança no horário de funcionamento dos bancos, que passaram a atender o público de 11h às 14h, e toque de recolher às 22 h.

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