Palavras de ordem: ''Fora, Sarney'' e ''volta, Zelaya''

Passeata na Paulista reuniu 3 mil militantes de MST, centrais sindicais, PSTU e PSOL

Ricardo Brandt, O Estadao de S.Paulo

15 de agosto de 2009 | 00h00

Cerca de 3 mil pessoas de movimentos sindicais, sociais e do MST uniram-se ontem e fecharam parcialmente por mais de 3 horas a Avenida Paulista, cérebro financeiro e comercial da maior cidade do País. Na pauta central, a redução da jornada de trabalho e a aceleração dos processos de reforma agrária. Mas com tantas forças políticas envolvidas, teve pedidos de "fora Sarney" e até de "volta Zelaya" - cobrando a restituição do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. A confusão era esperada. Com integrantes da Força Sindical, Central Única dos Trabalhadores (CUT), PSTU e PSOL do mesmo lado, o ato foi um grande protesto com críticas para todo mundo. Do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e até a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB). O governador José Serra (PSDB), possível adversário do PT em 2010 na disputa pela Presidência, também foi alvo dos ataques.Passava das 11 horas quando os manifestantes concentrados na Praça Oswaldo Cruz ganharam a Paulista para seguir em passeata até o vão livre do Masp. Uma fila de bandeiras vermelhas, balões e cartazes das centrais sindicais e de movimentos sociais preencheu a avenida por mais de um quilômetro.De cima de um carro de som, os deputados Ivan Valente (PSOL-SP) e Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, uniram forças para cobrar de todos os movimentos sindicais que exijam dos parlamentares a aprovação da proposta de emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, em tramitação na Câmara.Divergiram apenas quando o assunto foi cobrança política. Enquanto Valente disparou contra Sarney, exigindo sua saída da presidência do Senado, e cobrou maior atenção de Lula para os pobres. Paulinho pediu cautela nos ataques ao governo federal e chamou Serra de "picareta"."Temos de ter cuidado com o nosso discurso para não atacarmos demais um governo que tem ajudado os trabalhadores. Não podemos fazer quórum e correr o risco de ver eleito um presidente do naipe desse picareta desse Serra", atacou Paulinho.O presidente da CUT, Arthur Henrique da Silva, aproveitou o ato para atacar também a governadora gaúcha e defendeu seu impeachment, acusando seu governo de "corrupto".Em São Paulo, os manifestantes fecharam pelo menos três rodovias (em Paulínia, na Baixada Santistas e em Eldorado), além de terem bloqueado dois pedágios, como parte do dia de protestos. As manifestações terminaram sem registros de confrontos.

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