Palavra de ordem é desenvolvimento, diz Dirceu

O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, garantiu hoje que o aumento real do salário mínimo é uma das maiores prioridades do governo para 2005. Ao fazer um balanço dos dois dias de reunião ministerial, na Granja do Torto, Dirceu afirmou que a palavra de ordem dos próximos dois anos da administração é desenvolvimento e que "a economia cresce com a melhora do mínimo". Dirceu assegurou que o novo valor ficará entre R$ 290 e R$ 300."Se o reajuste for em janeiro, o valor será de R$ 290. Se for em maio será de R$ 300", comentou o ministro. "O fato é que sem distribuição de renda e inclusão social não podemos pensar no desenvolvimento do país". A decisão sobre a antecipação ou não do reajuste será tomada segunda-feira pelo presidente Lula, em reunião da coordenação política do governo. Em conversas reservadas, no entanto, ministros dizem que a tendência é reajustar o mínimo para R$ 300, mas somente em maio.Dirceu afirmou que o reajuste deverá ser feito por meio de projeto de lei, e não de medida provisória, que tranca a pauta do Congresso quando não é votada em 120 dias. "A orientação do presidente Lula é de não editar MP, a não ser que o assunto seja de máxima urgência", disse. "Agora, só fazemos MP depois de analisar três vezes. É que nem café: tem que coar três vezes para tomar."Correção no IRO ministro confirmou que entre as prioridades do governo também está a correção da tabela do Imposto de Renda, mas disse que o porcentual de reajuste ainda não foi definido. "Que haverá correção, haverá", garantiu. Lula discutirá o assunto com o ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, também na segunda-feira. "Existe uma proposta de corrigir a defasagem somente do governo do presidente Lula", disse Dirceu.As prioridades do governo para 2005 são as obras de infra-estrutura (rodovias, portos, aeroportos, energia), financiamento de investimentos, política industrial e tecnológica e ensino médio. "O maior desafio é como viabilizar os investimentos", afirmou o chefe da Casa Civil. "Nosso esforço é para definir como combinar política econômicae financiamento público com medidas de alavanquem o investimento privado."Longo caminhoApesar de prever um cenário otimista para 2005, Dirceu afirmou que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer para manter a estabilidade. "Portanto, vamos ter de ter criatividade, iniciativa política, boa gestão, parceria com a iniciativa privada e diálogo com a sociedade se quisermos garantir o mesmo crescimento desse ano para 2005".A avaliação, no encontro ministerial, foi de que o País não está livre dos ?problemas herdados? pela gestão de Fernando Henrique Cardoso. "Há dificuldades, as restrições ainda são grandes, o combate da inflação ainda é uma necessidade, mas é possível superar essas dificuldades como superamos esse ano e o País crescerá mais que 5%", disse Dirceu.Dirceu destacou que o governo aguarda a aprovação do projeto das Parcerias Público Privadas (PPP) pelo Congresso para aumentar os investimentos em obras. "E para que os investimentos privados cresçam, é preciso estabilidade econômica. Sem isso, tudo é ilusão".Ao relatar os resultados da reunião de dois dias no Torto, Dirceu afirmou ainda que Lula determinou a desburocratização dos serviços públicos e o combate às filas, principalmente na área da saúde. O ministro da Saúde, Humberto Costa, é um dos que sempre freqüentam as listas dos nomes que podem ser dispensados na reforma da equipe.Dirceu negou que a reforma ministerial tenha sido objeto de discussão da reunião. Mesmo assim, indiretamente fez críticas ao ministro ao sustentar que o problema da saúde é "de gestão, de eficiência e de prioridades". "Recursos no Orçamento tem", afirmou.

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