Ricardo Galhardo/Estadão
Representante indígena, Dário Kopenawa comemorou a exoneração de Jucá Ricardo Galhardo/Estadão

Pajelança para celebrar a queda do ministro do Planejamento

Índios yanomami fazem ritual para ‘enfraquecer’ a alma de Jucá e comemoram sua exoneração de pasta

Ricardo Galhardo - Enviado especial / BOA VISTA, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2016 | 05h00

Na sexta-feira 13 de maio, parte das 230 comunidades yanomami de Roraima dançou o xapiri, ritual xamânico usado pelos indígenas para interagir com os espíritos de seus antepassados. Desta vez os yanomami tinham um objetivo concreto, “enfraquecer a alma” do senador Romero Jucá (PMDB-RR), nomeado na véspera ministro do Planejamento no governo Michel Temer.

“Ele é o inimigo número um dos povos indígenas do Brasil”, disse ao Estado o yanomami Dário Kopenawa, na terça-feira, na sede da Associação Hutukara, em Boa Vista. “Ontem teve pajelança para comemorar a queda”, completou.

A aversão dos yanomami ao ministro licenciado do Planejamento remonta ao primeiro escândalo envolvendo o senador.

Presidente da Funai entre 1986 e 1988, no governo José Sarney, ele foi acusado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) de autorizar indígenas a vender madeira em troca de propina. O processo foi extinto no início da década de 1990.

Garimpo. Já como governador biônico de Roraima, entre 1988 e 1990, Jucá autorizou o garimpo em território yanomami. Kapenawa estima que 40 mil garimpeiros invadiram a área levando à morte de 2,5 mil indígenas. O caso foi registrado pela Comissão Nacional da Verdade.

Hoje a Boa Vista Mineração, pertencente a Marina Jucá, filha do senador, tem oito pedidos de licença de exploração que atingem território indígena. Segundo a Funai, o objetivo é “reservar” os direitos. Kopenawa calcula que pelo menos 3 mil garimpeiros estão hoje ilegalmente em território yanomami. Em 2015, a PF deflagrou a operação Warari Koxi que estimou em R$ 1 bilhão o valor movimentado pelo garimpo criminoso em Roraima.

Por meio de sua assessoria, Jucá considerou as indagações do Estado sobre o caso “descabidas” e disse que todas ações foram arquivadas pela Justiça.

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