Países da AL respeitam a Constituição, diz FHC

O presidente Fernando Henrique Cardoso disse que o retorno ao poder do presidente da Venezuela, Hugo Chavez, ajudou a reforçar a democracia na América Latina. Em entrevista ao jornal britânico Financial Times, o presidente disse que acredita que Chavez será mais "moderado", o que beneficiará toda a região. FHC afirmou que a rejeição na América Latina ao golpe na Venezuela reforçou uma tendência na região de respeito às regras constitucionais. "Nós estamos felizes por termos superado coletivamente a era de golpes de Estado na região e quando os eventos na Venezuela indicaram representar um golpe militar todos reagiram", afirmou FHC.O presidente afirmou que apesar da recente onda de turbulências em partes da América Latina, como a crise argentina e intensificação da guerrilha na Colombia, a região preservou as suas liberdades civis e públicas básicas. "As crises não afetaram os valores centrais da democracia, da liberdade de expressão e da livre organização da sociedade", disse FHC. "Não podemos negar que tem ocorrido avanços."ArgentinaFHC sugeriu que o principal desafio à democracia é o de assegurar a ética na política, um fator mais relacionado à Argentina do que a Venezuela. "Pelo que sei, não houve grandes escândalos de corrupção na Venezuela", disse FHC. "Na Argentina eles existiram e é por isso que a legitimidade lá tem sofrido tanto."O presidente disse que os meios de comunicação e a sociedade na América Latina estão hoje mais vigilantes em relação a conduta dos políticos e exigem um comportamento mais ético.Segundo FHC, o problema de Chavez não foi uma carência de legitimidade - o presidente venezuleano reformou o Congresso e a Suprema Corte com apoio popular - mas sim na definição de "de um patamar viável, um prático caminho de avanço". "O risco é um fatiga desse apoio. As pessoas querem ver resultados, melhores salários, crescimento econômico, educação."Conselhos a ChavezO FT observou que o presidente brasileiro, ao longo dos últimos três anos, tem frequentemente dado conselhos a Chavez. Na semana passada, FHC telefonou duas vezes para o presidente venezuelano. Logo após o contragolpe, FHC sugeriu que Chavez abrisse o diálogo com a socidade e que deveria considerar uma anistia para seus inimigos. "Eu acho que ele será mais moderado. Eu espero que isso ocorra. Isso seria bom para toda a região", disse FHC.

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