País vizinho amarga falta de transparência

ARGENTINA

Ariel Palácios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

29 de abril de 2009 | 00h00

Os vagos controles aplicados até hoje no Brasil ao uso das passagens aéreas para parlamentares seriam considerados "rigorosos" na Argentina, país que padece da falta de transparência na fiscalização dos gastos do Poder Legislativo. Deputados e senadores argentinos não são alvo de controles sérios sobre o uso de suas passagens aéreas. Uma brecha abre a possibilidade do uso de passagens por parte de parentes e aliados políticos, além de permitir a revenda autorizada dos bilhetes, para "completar" o salário.Nos primeiros dias de dezembro de 2006, cada parlamentar tinha direito a 20 passagens aéreas. Mas, diante das pressões de vários partidos, sob alegação de que parlamentares estavam com "dificuldades financeiras" decorrentes da crescente inflação, junto com a necessidade de viajar com mais frequência diante da proximidade do Natal, o Congresso autorizou a entrega de dez passagens aéreas adicionais - sistema aplicado durante o verão daquele ano.Normalmente, das 20 passagens aéreas costumeiras, 10 são intransferíveis. As demais podem ser revendidas ou repassadas a outras pessoas.Os parlamentares defendem a transferência, alegando que cedem bilhetes aéreos para pessoas com problemas: um deputado, por exemplo, repassa passagens a um casal que possui um filho com uma doença que precisa ser tratada na capital. Manuel Garrido, diretor de Pesquisa de Transparência do Centro de Implementação de Políticas Públicas para a Equidade e Crescimento (Cippec), afirmou que a inclusão das passagens nas prestações de contas "depende da boa vontade dos parlamentares".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.