'País vive dias sombrios', diz João Paulo sobre punição

Para um auditório com metade das cadeiras ocupadas, o único deputado federal ainda em liberdade após o julgamento do mensalão, João Paulo Cunha (SP), voltou a dizer que não cometeu nenhuma irregularidade quando foi presidente da Câmara (2003 a 2005) e que a condenação a nove anos e quatro meses de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) foi "injusta". Para ele, corrupção não tem termômetro. "Se rouba R$ 1 ou R$ 1 milhão é a mesma coisa".

DAIENE CARDOSO E JOÃO DOMINGOS, Agência Estado

13 Dezembro 2013 | 19h42

O deputado comparou o mensalão com o escândalo dos fiscais que desviavam Imposto Sobre Serviços (ISS), em São Paulo. Afirmou que a Procuradoria-Geral da República apontou desvios de R$ 141 milhões no mensalão e só o escândalo dos fiscais da prefeitura de São Paulo contabilizou desvios de R$ 500 milhões. Mas, segundo ele, no caso do mensalão, não houve desvio de dinheiro público. "A Visanet é privada e dizem que é dinheiro público; os empréstimos do PT foram comprovados pelo Banco Central e dizem que é desvio de dinheiro público".

Para João Paulo, o País vive "tempos sombrios". "Daqui a 40, 50 anos, quando os historiadores se debruçarem sobre os registros desse caso em jornais e TVs, vão ver um Brasil. Mas se olharem a vida do povo, vão ver outro. Esse País que a elite registrou, por intermédio da mídia, é o País do ponto de vista deles. Não é o País do povo". Para João Paulo, a elite usa a mídia contra o PT. "O projeto da elite não é o projeto do povo".

Na quarta-feira, em discurso na Câmara, João Paulo disse que não vai renunciar ao mandato. Na ocasião, ele apresentou uma revista na qual faz a própria defesa. Nesta quinta-feira, durante o ato de desagravo, no 5º Congresso do PT, ele distribuiu mais alguns exemplares da revista. "O Brasil vive dias sombrios", afirmou ele, único a usar camiseta vermelha. Os parentes de outros condenados estavam de roupa branca, segundo eles, em solidariedade aos presos, que só podem usar essa cor.

O ex-presidente da Câmara também criticou o tratamento diferenciado aos réus do processo do mensalão mineiro, que terão o direito a julgamento em duas instâncias, o que eles não tiveram. João Paulo criticou ainda a oposição por dizer que o mensalão é o maior escândalo político do Brasil. "Maior escândalo de que? Eu já li que foi o maior escândalo político. Foi maior que a ditadura militar? Foi maior que o Estado Novo? Foi maior do que a escravidão? Foi maior do que deixar as mulheres sem votar até 1932? Foi maior do que deixar os analfabetos sem votar até 1989? Foi maior do que deixar o índice de analfabetismo que temos até hoje? Foi o maior escândalo político?"

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