País vive crise de expectativa, diz Campos

Em palestra para investidores em Londres, governador afirma que não se pode ‘esconder os problemas’, mas nega retrocesso econômico

Fernando Nakagawa, Correspondente - O Estado de S. Paulo

08 de novembro de 2013 | 09h05

LONDRES - O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), disse nesta quinta-feira, 7, em Londres, que o Brasil passa por uma "crise de expectativa" na economia por causa do cenário político ao longo dos últimos 12 ou 18 meses. O provável candidato do PSB à Presidência em 2014 falou na capital inglesa para uma plateia de cerca de 200 investidores e empresários britânicos.

Apesar de apontar problemas conjunturais, Campos não acredita que haverá retrocesso na macroeconomia brasileira. "Os problemas não podem ser escondidos e precisam ser enfrentados. Houve uma crise de expectativa (na economia) pela questão política nos últimos 12 ou 18 meses e isso precisa ser superado", disse durante entrevista, após o seminário destinado a atrair investimentos para Pernambuco.

Durante o evento, Campos defendeu o avanço do debate político, sem desconstruir conquistas como os fundamentos macroeconômicos, estabilidade econômica e inclusão social. Para avançar, ele sugeriu que, na área econômica, é preciso respeitar a responsabilidade fiscal e executar reformas, como a tributária. "Acho que dá para fazer. A reforma tributária é um processo que leva uns 10 ou 12 anos. Se Fernando Henrique Cardoso ou Lula tivessem começado, já teríamos uma reforma tributária", afirmou. "Não podemos esconder, mas também não vamos maximizar os problemas", completou, ao afirmar que "tem confiança de que não vai haver retrocesso econômico" no governo da presidente Dilma Rousseff.

Ambiente de negócios. Segundo Campos, o governo federal deve melhorar o ambiente de negócios para dar mais "clareza" aos interessados em investir no Brasil. "Para o mercado, temos de ter regras que melhorem o ambiente de negócios. Se precisamos de mais investimentos, precisamos garantir que tenhamos um ambiente saudável", disse. "Precisamos aumentar o investimento, mas o Brasil não tem muita poupança. Por isso, precisamos atrair o investidor estrangeiro e, para atraí-lo, precisamos passar mais segurança."

A economia tem sido o tema preferido do governador pernambucano desde quando passou a se colocar como provável presidenciável em 2014. Porém, partiu de sua nova aliada, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva - que se filiou ao PSB após a Justiça Eleitoral negar registro partidário à Rede Sustentabilidade -, a crítica mais forte ao governo federal nessa área. Marina disse recentemente que o governo Dilma está "fragilizando o tripé da política econômica (superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante)".

Campos, por sua vez, tem evitado críticas diretas ao atual governo. Ontem, na sua palestra, apesar de apontar para alguns problemas, ele procurou deixar uma mensagem "de confiança". "Temos fundamentos macroeconômicos, mas temos problemas. Mas os nossos problemas são muito menores do que o nosso passado e de outros países."

‘Objetividade’. Aos jornalistas, Campos afirmou que não pretende ter uma "visão eleitoralista" ou "medíocre" da situação do País. "Não podemos viver uma eleição apenas na base do nós e eles. Vamos fazer um debate consistente com a agenda nacional que está interditada. Não é uma agenda do próximo governo, é um debate de uma geração", disse. "Não quero ter a visão rasa eleitoralista ou a visão medíocre de que está tudo uma beleza, nem de que tudo está uma desgraça, que tudo está ruim. É preciso ter objetividade."

Para o governador, as manifestações nas ruas do País, em meados do ano, ainda aguardam respostas dos governantes. "Algumas coisas tiveram resposta, como a desoneração do transporte ou os temas que o Congresso votou. Mas ainda há temas que esperam por resposta. Na educação, por exemplo, não se cria uma resposta em um único governo. Na saúde também. Portanto, aquela pauta ainda está valendo."

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