País tem protestos contra impeachment e comemoração de grupos anti-Dilma

Em São Paulo, ato contra o presidente Michel Temer teve vandalismo e confronto com a PM

Valmar Hupsel, Gilberto Amêndola, Fábio Grellet, Lígia Formenti, Leonardo Augusto, Heliana Frazão, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2016 | 20h33

Após o plenário do Senado aprovar o impeachment da presidente cassada Dilma Rousseff, e dar à posse definitiva da presidência para Michel Temer, várias cidades do País registraram manifestações – a maioria contra a saída de Dilma. As situações mais tensas ficaram para São Paulo, Porto Alegre e Florianópolis. Na capital paulista, polícia e manifestantes entraram em confronto após um grupo depredar lojas, agências bancárias e pontos de ônibus no centro. 

Em São Paulo, a Avenida Paulista, palco das principais manifestações políticas no País nos últimos anos, recebeu militantes dos dois grupos. Em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) se concentrou o grupo que celebrava o impeachment. As pessoas comemoraram perto de dois bonecos gigantes que foram inflados, um da presidente cassada e outro do presidente do Senado, Renan Calheiros. O hino nacional foi tocado e uma faixa com os dizeres ‘Tchau, querida’ foi estendida na via. 

Já em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), manifestantes contrários à saída de Dilma fecharam um quarteirão e partiram em marcha. Com gritos de ordem de ‘não tem arrego’ e ‘fora Temer’, eles foram cercados por um forte esquema de segurança durante o ato. Com cassetetes e armas de balas de borracha, a PM apenas acompanhava o grupo – eles chegaram a fechar a Rua da Consolação, ateando fogo em sacos de lixo. Além do ‘Fora Temer’, a Polícia também passou a ser alvo de ofensas. Com palavras de ordem contra PM, o grupo espalhou lixo por vias paralelas à Rua da Consolação. 

A Tropa de Choque foi acionada quando os manifestantes passaram a depredar tudo o que estava pela frente. Foram registrados danos nas regiões da Rua da Consolação e da Praça da República. Agências bancárias, uma cafeteria e outros estabelecimentos comerciais, além de pontos de ônibus foram destruídos. Os polícias responderam com bombas de gás lacrimogêneo. Um carro da Polícia Civil foi destruído.

Para tentar dispersar os manifestantes, um veículo da Tropa de Choque passou a atirar jatos d’água contra o grupo, que se dividiu – parte seguia para a frente do Teatro Municipal, no Viaduto do Chá, e parte se escondeu em ruas próximas à Praça da República.

Brasília e Rio. Na capital federal, cerca de mil manifestantes participaram de um protesto na Rodoviária. Policiais militares usaram spray de pimenta para tentar controlar o tumulto. O grupo, que estava concentrado na Esplanada dos Ministérios, numa área em frente ao Congresso, foi caminhando em direção à Rodoviária, localizada a dois quilômetros do Congresso. 

À noite, no aeroporto, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) foi hostilizado por um grupo de passageiros, que o chamou de “golpista”. O tucano reagiu chamando-os de “petistas”.

No Rio, a polícia acompanhou os protestos. Por volta das 17h, representantes de movimentos sociais e sindicatos se reuniram na Cinelândia, na região central, para protestar contra o impeachment. O ato foi promovido pela Frente Brasil Popular, que reúne mais de cem entidades e partidos políticos de esquerda. Segundo os organizadores, cerca de 2.000 pessoas participaram do ato.

Em Copacabana, zona sul, dois grupos que apoiam o impeachment se reuniram na orla, nas imediações do Posto 5, no começo da noite. O Movimento Brasil Livre e o Vem pra Rua se concentraram para comemorar a saída definitiva de Dilma.

Belo Horizonte. A capital mineira. também registrou manifestações. Segundo a PM mineira, cerca de mil pessoas protestaram contra a saída da presidente cassada. Os manifestantes fizeram passeata pelas ruas do centro da capital. Em um ponto do trajeto, projetaram a frase “Fora Temer” na lateral de um prédio. A manifestação foi convocada pelas redes sociais. Até o início da noite não havia movimentação de protestos de apoio ao impeachment da presidente afastada.

Em Salvador, manifestantes contrários ao novo governo do presidente Temer se reuniram para protestar em uma das regiões mais movimentadas da cidade, a Avenida Antonio Carlos Magalhães. Eles exibiam faixas com os dizeres “se não há justiça para o povo, não haverá paz para o governo”. Eles carregavam ainda cartazes, apitos e cornetas, e, embora em número reduzido, em relação a manifestações anteriores, faziam muito barulho para chamar atenção de quem passava pelas imediações. 

Por se tratar de uma área de intensa movimentação de veículos, o movimento provocou um grande congestionamento no local. Não foi informado o número de pessoas que participaram da manifestação.

Mais violência. Em Santa Catarina, a Polícia Militar entrou em confronto com manifestantes pró-Dilma na capital, Florianópolis. Cerca de três mil protestavam contra a decisão do Senado Federal. O grupo chegou a bloquear a ponte Colombo Salles, única saída da cidade em direção ao continente. Houve confronto entre Polícia Militar e manifestantes.

A concentração, marcada para as 18h, reuniu manifestantes de diversos movimentos sociais no Largo da Alfândega, no centro de Florianópolis. Sem roteiro definido, o grupo decidiu marchar em direção às pontes Pedro Ivo e Colombo Salles.

O grupo chegou a bloquear por a cabeceira da ponte Colombo Salles, na saída da cidade, e quando tentava bloquear também a Pedro Ivo, para quem chega a Florianópolis, a PM interveio com balas de borracha. A Cavalaria foi acionada e deu apoio aos policiais. A entrada e saída de Florianópolis chegaram a ficar bloqueadas por mais de 20 minutos, até que lideranças conversaram como comando da Polícia Militar e acertaram que a manifestação seguiria em direção ao centro.

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