País tem de se preparar para ALCA, diz FHC

Agora começa o trabalho mais difícil da negociação da ALCA, a Área de Livre Comércio das Américas, e o Brasil precisa preparar-se, disse hoje à noite o presidente Fernando Henrique Cardoso. "É preciso ver como o acordo comercial afetará cada setor, quem vai ganhar, quem vai perder o que fazer com os que perderão". Essa tarefa, continuou, não deve ser só do governo, mas deve envolver o setor privado e toda a sociedade. Entidades empresariais e o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico já têm feito levantamentos que deverão servir para orientar os negociadores. Essa preparação é uma tarefa interna, que se deve realizar em qualquer país que se envolva em negociações comerciais. Outra coisa é a definição, perante os parceiros, das condições que tornarão a ALCA atraente para o Brasil. Fernando Henrique expôs as condições - que incluem a revisão da política antidumping e do protecionismo agrícola dos Estados Unidos -- o discursar na abertura da 3ª Cúpula das Américas, na sexta-feira à noite. "Preferi por essas questões na mesa desde o primeiro dia", explicou. "Havia a impressão de que o Brasil vinha causando obstálculos à ALCA, de maneira unilateral, e aqui edm Quebec ficou claro que não." O presidente disse Ter recebido manifestações de apoio de vários outros chefes de governo pela maneira como apresentou o assunto. Quanto ao presidente George W. Bush, acrescentou Fernando Henrique, "encaixou bem" as opiniões apresentadas em seu discurso. O problema, disse o presidente, não é ser contra a ALCA ou favor da ALCA, mas estar preparado para avaliar se atende aos interesses do País: "É preciso ver que vantagem Maria leva". Não tem sentido, segundo ele, sustentar posições, como as que se notam no Brasil, de "gente que é a favor do Mercosul e a favor de acordo com a União Européia, mas contra a ALCA por motivos ideológicos". A ALCA, explicou, "não é indesejada". Simplesmente, as condições que seja desejada "são essas", isto é, aquelas apontadas em seu discurso. Para avaliar as condições de inserção internacional, disse o presidente, é preciso levar em conta não produtos finais ou bens isolados, mas cadeias produtivas, cada vez mais complexas e distribuídas por vários países. No caso dos países do Mercosul, continuou, o mais eficaz seria pensar que o espaço produtivo é a região. "Essa idéia", disse, "foi bastante analisada nas conversas com o presidente (argentino) Fernando de la Rúa." Perguntou-se a Fernando Henrique se o governo brasileiro preferiria à ALCA um acordo bilateral com os Estados Unidos. Só aceitaria como alternativa, respondeu, um acordo quatro mais um, isto é, Mercosul com Estados Unidos.

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