Ricardo Galhardo Estadão
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Ato pró-Dilma pede ‘Fora Cunha’ em SP

Organizada por sindicatos e movimentos sociais, manifestação contra Eduardo Cunha e impeachment da presidente lota avenidas da capital

Ricardo Galhardo e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2015 | 21h15

Milhares de pessoas foram às ruas nesta quarta-feira, 16, em pelo menos 23 cidades aos gritos de “Não vai ter golpe” para protestar contra o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os manifestantes também pediram a saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

O maior ato aconteceu em São Paulo, onde os manifestantes foram em passeata da Avenida Paulista até a Praça da República. Houve controvérsia quanto ao número de participantes. Os organizadores do evento estimaram que 100 mil pessoas estiveram no protesto. Segundo a Polícia Militar, foram 3 mil, às 19h. 

“Foi um grande ato. Mostramos a unidade dos movimentos sociais e deixamos claro que vamos resistir nas ruas ao impeachment. Amanhã (hoje) vamos nos reunir com a presidente Dilma com muito mais força para pedir mudanças na política econômica e entrar em 2016 com uma nova agenda”, disse Raimundo Bonfim, da Central de Movimentos Populares (CMP).

Nesta quinta-feira, 17, Dilma receberá representantes das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, responsáveis pelos atos.

A maior parte dos manifestantes era de sindicalistas e movimentos sociais organizados, vestidos de vermelho e carregando bandeiras de entidades como Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e Central de Movimentos Populares (CMP), além de partidos políticos como o PT e o PC do B.

Alguns manifestantes lembravam que o PT estava de volta às ruas depois de um longo período de desmobilização que culminou com militantes petistas sendo expulsos de um protesto do Movimento Passe Livre em junho de 2013. “Precisamos passar por tudo aquilo para ver que a força do PT está nas ruas”, disse a professora aposentada Ilda Mascarenhas, de 58 anos.

Comemoração. Cunha foi o alvo principal dos manifestantes, chamado de ladrão, sem vergonha, homofóbico, vagabundo, chantagista. “Cunha é ladrão, sem vergonha e deveria sair da Câmara para a cadeia”, disse o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, em discurso no principal carro de som do evento.

Quando um dos oradores anunciou que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, havia pedido ao Supremo Tribunal Federal saída de Cunha da presidência da Câmara, a multidão comemorou como se fosse um gol da seleção brasileira.

A defesa de Dilma foi sublinhada pela ressalva de que ela fica, mas tem de mudar a política econômica. “Não permitimos o golpismo, mas não é para manter essa política econômica de desemprego e recessão”, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas.

Para a direção do PT, o saldo foi positivo. “Foi um ato vitorioso, com uma quantidade expressiva de gente nas ruas mostrando contra o impeachment”, disse o presidente municipal do PT de São Paulo, Paulo Fiorilo. 

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