País revive ''anos dourados'' da era JK, afirma Lula

Em exposição que comemora 106 anos de Juscelino, presidente diz que o Brasil retomou auto-estimaladora da escrita

Lu Aiko Otta, O Estadao de S.Paulo

13 de setembro de 2008 | 00h00

Com as pesquisas de opinião apontando uma taxa de popularidade alta como nunca, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou um evento modesto - a abertura de uma exposição no Memorial JK, em comemoração aos 106 anos de nascimento do presidente Juscelino Kubitschek - para proclamar que o Brasil vive hoje um momento semelhante aos "anos dourados" da era JK. Lula tomou o cuidado de não comparar-se pessoalmente ao fundador de Brasília. Mas o discurso, ouvido por um auditório ocupado apenas pela metade, foi pontuado por paralelos: a origem humilde, o desejo de fazer do Estado o planejador do desenvolvimento e até o fato de Juscelino ter sido "achincalhado" sem nunca levantar a voz. "Os números que mostram o vigor da economia - como a expansão de 18% na indústria de máquinas e os investimentos evoluindo a um ritmo três vezes superior ao crescimento do Produto Interno Bruto - colocam o Brasil em um momento tão confiante quanto no período de Juscelino", avaliou Lula. "Trata-se de um Brasil à moda de JK. Um país que retomou a auto-estima de sua juventude, hoje uma das mais otimistas do mundo."A exposição Um Certo Navio Brasileiro, inaugurada com a presença de Lula, mostra painéis da plataforma P-34. Comprada nos anos 50 para transformar petróleo, a embarcação havia recebido o nome de Presidente Juscelino Kubitschek. Durante o regime militar, foi rebatizada como Presidente Prudente de Moraes. Recentemente, voltou a ter o nome original. Foi a bordo dela que Lula deu início à exploração do petróleo do pré-sal, na semana passada, na costa do Espírito Santo.TRILHAOs anos JK foram marcados por um grande otimismo em relação ao futuro e por decisões ousadas que transformaram o País, como a opção por uma economia industrializada, a começar pela instalação das montadoras. Lula acredita ter retomado essa trilha. Um exemplo é o que aconteceu com a indústria naval, cujo desenvolvimento estava previsto no item 28 do Plano de Metas de JK. Nos anos 70, disse Lula, a indústria de embarcações no Brasil empregava 40 mil pessoas e era a segunda maior do mundo, perdendo só para o Japão. Em 2003, os estaleiros estavam à beira da falência, com um total de 1.400 empregados. Naquele ano, disse Lula, foi tomada a "decisão soberana" de revitalizar a indústria naval. A primeira providência foi nacionalizar a construção da plataforma P-52. Seguiram-se outras encomendas. Hoje, os estaleiros empregam novamente 40 mil pessoas e estão prestes a passar por novo impulso, pois a exploração do pré-sal demandará mais de 200 novos navios, além de sondas e plataformas.Lula deu uma alfinetada na gestão de Fernando Henrique Cardoso, marcada pelas privatizações e pelas crises financeiras. Ao comentar que o pré-sal surgiu num momento em que o processo de crescimento já estava em curso, acrescentou: "Tivesse emergido em outros tempos, talvez esse patrimônio fosse alienado na voragem das liquidações impostas pelo estrangulamento interno."

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