País recebe últimos caças comprados da França

Com as 2 unidades, fica completo lote de 12 jatos; custo total da transação foi de 80 milhões

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

27 de agosto de 2008 | 00h00

A pressão arterial do ministro da Defesa, Nelson Jobim, passa hoje por um teste: por cerca de 40 minutos, entre as 10 horas e as 11 horas, ele estará a bordo de um caça supersônico Mirage 2000/B da base aérea de Anápolis (GO). Vai romper a barreira do som e verá como são os procedimentos de interceptação, a principal missão do 1º Grupo de Defesa Aérea, a que o avião está integrado.Para a experiência, o ministro terá de estar com a pressão na faixa dos 13 por 8, batimento cardíaco entre 90 e 110.Na volta, Jobim receberá oficialmente dois desses jatos, últimas unidades do lote de 12 comprados, usados, da França, em julho de 2005. Os jatos saíram por 60 milhões, mais 20 milhões pela documentação técnica, suprimentos, ferramentas, treinamento de pessoal e providências para os vôos de transferência para o Brasil. Os dois caças chegaram na segunda-feira e são do modelo C, monoposto.Jobim será conduzido pelo comandante do 1º Grupo, tenente-coronel Arnaldo Lima Filho, um oficial experimentado, com pouco mais de 1.100 horas de vôo no Mirage III-E. O antecessor do tipo 2000 foi usado pela Força Aérea por 33 anos, até a meia-noite de 31 de dezembro de 2005.O coronel pretende apresentar ao ministro "peculiaridades do trabalho de defesa e do emprego do equipamento". Na volta à base haverá apresentação da tropa francesa - especialistas militares envolvidos no processo - e brasileira. Um capitão francês será condecorado com a Ordem Santos Dumont.Os Mirage 2000C e B têm tecnologia dos anos 80. A frota foi revisada, mas não passou por nenhum tipo de modernização. É capaz de voar a 2.100 km/hora. Armado com dois canhões 30 milímetros, leva 6,3 toneladas de cargas externas - mísseis de vários tipos, bombas e tanques extras de combustível. Pode ser reabastecido no ar.É o quarto vôo de caça de Jobim . Ele já esteve no segundo posto do AMX e, nos EUA, dos supersônicos americanos F-16 Falcon e F-18 Super Hornet.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.