País quer apoio dos EUA para lançar satélite

Idéia é usá-lo nas áreas de segurança, educação e rádio e TV, mas Colômbia tem preferência sobre posição orbital

Gerusa Marques, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2017 | 00h00

O Brasil está negociando com os Estados Unidos apoio para lançar um satélite geoestacionário, que será usado nas áreas de segurança, educação e transmissão de sinais de rádio e TV. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, recebeu ontem o coordenador de Política Internacional de Comunicações e Informação do Departamento de Estado dos EUA, David Gross."Estamos discutindo a questão estratégica da colocação de satélites em órbita na região que interessa ao Brasil", disse o ministro depois. A Colômbia reivindica a mesma região, que inclui as posições orbitais 67 e 68, e tem preferência na ocupação, desde que lance seu satélite até setembro. O governo colombiano, com apoio da Venezuela, planeja lançar um satélite andino, mas está atrasado, pois ainda não fez a licitação para sua construção, segundo Costa. Depois da Colômbia, a preferência é para o Brasil. "Nós queremos saber qual é a posição dos EUA e se poderíamos ter uma parceria", explicou o ministro.Em troca do apoio para o lançamento do satélite brasileiro, o governo brasileiro poderia endossar um projeto dos EUA de banda larga via satélite na África, seguindo o modelo já implantado no Brasil com o programa Governo Eletrônico - Serviço de Atendimento a Cidadão (Gesac). Esse programa tem 3.200 pontos espalhados pelo País, levando a internet principalmente a escolas públicas."Os EUA chegaram até a sugerir que o projeto é tão bom que gostariam de ver a possibilidade de uma ?joint venture? entre o governo brasileiro e o americano, para que nós pudéssemos estender esse serviço de satélite aos países africanos, que têm mais ou menos as mesmas situações que nós estamos vendo nas regiões de fronteira do Brasil", contou Costa. Ele disse que ainda vai levar a negociação à Casa Civil e ao Itamaraty.FORÇAS ARMADASO novo satélite poderia resolver ainda o problema de transmissão de dados das Forças Armadas. Hoje ela é feita pelos satélites da Star One, que pertence ao grupo mexicano Telmex desde que a Embratel foi privatizada. Este ano, a Star One passou ano a cobrar do governo R$ 12 milhões ao ano por seu uso."O que não temos a menor dúvida é da utilização prática e pública deste satélite, mas, sobretudo, partindo do aspecto da segurança nacional, porque nós, hoje, temos que pagar por este satélite", disse o ministro. "No contrato anterior, dos satélites que eram explorados pela empresa brasileira, a gente tinha acesso sem pagar nada. Na medida em que este satélite é substituído por outro, a empresa que está administrando evidentemente trouxe a conta para o governo brasileiro."

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