''''País precisa arrecadar mais'''', diz presidente

Lula defende aprovação da CPMF 'para fazer política social justa'

Fausto Macedo, O Estadao de S.Paulo

06 de outubro de 2007 | 00h00

"O Brasil não pode ter medo de arrecadar mais", declarou ontem, em Florianópolis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O mal do Brasil é que durante muito tempo ele arrecadou menos", enfatizou. "Então, o Brasil precisa arrecadar o justo para fazer política social justa."O presidente fez uma defesa loquaz da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que garantirá R$ 36 bilhões aos cofres públicos até o fim do ano e R$ 39 bilhões em 2008. A prorrogação da CPMF passou em primeira votação na Câmara, mas tem de superar novas etapas."Estou convencido de que a Câmara e o Senado vão aprovar a CPMF", insistiu o presidente. "É um imposto justo. Quando vocês conversarem com alguém que faça críticas à carga tributária, perguntem qual imposto aumentou." Ele mesmo respondeu: "Nenhum."Lula vê um Brasil atravessando "momento maravilhoso, muito rico" - o mercado financeiro, a indústria e o comércio, na sua avaliação, experimentam fase privilegiada. "A verdade é que as pessoas estão pagando mais porque estão ganhando mais. É só ver o lucro dos bancos, das mil maiores empresas brasileiras. Tem de pagar mais."O presidente convocou a máquina pública em geral a seguir seu gesto. "Da nossa parte, nós precisamos, tanto os prefeitos como governadores, como o presidente da República, nós precisamos é arrecadar o máximo possível com a menor taxa de imposto possível para que a gente faça a maior política de distribuição de renda possível."Lula negou revisão da política de juros, se a CPMF avançar. "Nós já fizemos. As pessoas esquecem com muita facilidade as coisas. Esquecem que fizemos R$ 32 bilhões de desoneração em 2006 e eu poderia estar aplicando em política social. Esquecem que acabamos de aprovar a Lei Geral da Micro, Pequena e Média Empresa, que vai criar um outro rito de pagamento de imposto, que vai ter desoneração de R$ 5 bilhões."O presidente foi a Florianópolis para assinar contratos que alteram a federalização do Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) e do Besc Crédito Imobiliário. As duas instituições não serão mais privatizadas, mas incorporadas ao Banco do Brasil por meio de termo aditivo que será submetido ao Senado.Lula falou durante cerca de meia hora. Primeiro apontou para os bancos quebrados e condenou os impunes, depois repeliu os empresários que criticam sua política econômica, "aqueles que sempre jogam para baixo". Reprovou o que chamou de "habitué da desgraça". Sobrou até para o Ministério Público, quando ele discorreu sobre as dificuldades em promover o progresso e políticas públicas de cunho social. Falou do PAC, seu programa de R$ 540 bilhões, e prenunciou: "Não vai demorar muito e os aviões vão estar voando com querosene de mamona no Brasil ou de soja ou de alguma oleaginosa nossa."MANTEGANo evento, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, conclamou o Senado a, quando receber a emenda da CPMF, aprová-la "em tempo hábil" para que o imposto entre em vigor em 1º de janeiro de 2008. "Os senadores têm a consciência da necessidade da CPMF para manter o equilíbrio fiscal, também para manter os investimentos do PAC e viabilizar os programas sociais que têm sido tão importantes para o País." Ele afastou a possibilidade de rejeição: "Não acredito que vá haver um boicote ou má vontade, mesmo dos senadores da oposição. Eles têm a consciência daquilo que está sendo feito hoje no País."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.