País não pode parar com crise no Senado, afirma Lula

Presidente abandona discurso veemente em defesa de Sarney, mas diz que o presidente da Casa tem ?compromisso de fazer apuração?

Tânia Monteiro e João Domingos, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou a avaliação que vinha fazendo da crise do Senado. Em vez de defender o presidente a Casa, José Sarney (PMDB-AP), como havia feito duas vezes antes com veemência, desde ontem Lula adotou uma postura institucional e preferiu deixar a solução da crise para o próprio Senado. Justamente no dia em que Sarney divulgou uma nota em que praticamente pede socorro ao presidente. a href=''http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,veja-os-663-atos-secretos-apontados-por-comissao-do-senado,391983,0.htm'' target=_blank>Confira os 663 atos secretos e o especial sobre o Senado em criseNuma rápida entrevista coletiva concedida ontem, Lula disse que há denúncias de irregularidades no Senado e que existe a fase de apuração. Segundo ele, as providências devem ser tomadas. O que não pode é o País passar o mês inteiro discutindo a crise do Senado - agravada depois do dia 10, quando o Estado revelou a existência de atos secretos editados para dar regalias e aumentar salários de parentes e apaniguados de senadores e diretores.ENTREVISTAIndagado se Sarney deve sair, Lula respondeu que "não", mas sem ressaltar que o presidente do Senado é uma pessoa diferente das demais, "um ex-presidente da República", como havia feito na semana passada. "Sarney foi eleito. Acho que ele tem um compromisso de fazer apuração e ele disse que está fazendo. Só espero que haja apuração, só isso." Na mesma entrevista, Lula defendeu o afastamento dos ex-diretores que estão sob suspeita de envolvimento nas irregularidades. "Se ele (diretor) está sob suspeita, então é melhor afastá-lo até que as coisas sejam apuradas. O que eu não quero é transformar as coisas que aconteceram no Senado em uma coisa institucional. Ali todo mundo tem maioridade, todo mundo sabe o que acontece, todo mundo toma a decisão e resolve", disse.DESGASTELula e seus ministros mais próximos temem que o desgaste leve o Legislativo a uma crise semelhante a que atingiu o Congresso em 1993 e 1994 e motivou a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Anões do Orçamento. Na época, o Congresso parou, não conseguiu fazer votações importantes e o escândalo atingiu líderes partidários como Ibsen Pinheiro (PMDB-RS), que acabou tendo o mandato cassado.O temor é que a crise inviabilize os trabalhos do Senado. Não que haja projetos que possam mudar o rumo do País, mas se travar as medidas provisórias com as quais o governo toca sua administração correriam riscos porque perdem a eficácia depois de 90 dias caso não seja aprovadas.

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