Pais e vizinhos se surpreendem com denúncias contra pediatra

A mãe de um adolescente atendido pelo pediatra e terapeuta Eugenio Chipkevitch resume o que sentiu ao conhecer a história do médico. "Ele tem de ser punido. Merece o pior."Graciela Brucino, de 36 anos, levou o filho uma só vez ao consultório, no ano passado, quando o menino tinha 13 anos. Como a maioria das pessoas, foi atraída pelo currículo. "Ele escreveu livros, estudou nos Estados Unidos", enumerou.Segundo a mãe, o filho não quis voltar. "Mas acho que ele teria me contado se tivesse acontecido alguma coisa, pois nós temos uma relação bem aberta."Graciela afirma que o médico recomendou vacinas para seu filho. Aparentemente, era com essas que o médico dopava os adolescentes, antes de abusar deles. A publicitária Cláudia Oliveira dos Santos trabalhava numa sala ao lado do consultório.Há cerca de um ano, ouviu uma criança gritando: "Não, não." A criança esperneava, batendo os pés e as mãos na parede. As poucas pessoas que tinham contato com o médico têm pouco a dizer, mas se referem ao pediatra como uma pessoa fechada, estranha.A maioria dos vizinhos do prédio onde ele mora, na Rua Michigan, no Brooklin, afirma que não o conhecia. Um porteiro relatou apenas que o via entrar e sair. "Nem dizia bom-dia."Logo após a divulgação, pelo apresentador do SBT Ratinho, de imagens de Eugenio Chipkevitch sedando e abusando de adolescentes, surgiu a questão sobre se pode existir crime - o de divulgação de pedofilia - ao mostrar-se outro delito - o de pedofilia.Para João José Sady, coordenador da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, a resposta é não. Na sua opinião, não houve crime na divulgação das imagens, com efeitos sombreados sobre os órgãos genitais dos pacientes, principalmente porque o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) pune apenas produzir, dirigir, fotografar ou publicar cena de sexo com criança ou adolescente. Além disso, pode ser apresentada como argumento a questão da liberdade de imprensa.

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